Águeda: Emoção na inauguração das obras de requalificação
A inauguração das obras de requalificação do Auditório Ana Paula Silva, do Orfeão de Águeda, foram marcadas pela emoção, numa cerimónia participada por mais de duas centenas de pessoas.
António de Almeida e Silva, presidente do Orfeão de Águeda, agradeceu, em particular, os contributos do dirigente Orlando Pereira, que “fiscalizou a obra com muito rigor”, e do presidente da Câmara Municipal, Gil Nadais, “sem o qual esta intervenção não seria possível”. “Fez ontem 28 meses, que fomos enlutados pela tragédia que se abateu sobre o Orfeão de Águeda, e, daí para cá, somos todos os dias confrontados com momentos de angústia, tristeza, alguma revolta e muitos porquês”, confidenciou António A. Silva, emocionado. “A Ana Paula sonhou, nós quisemos e a obra aí está!”, começou por dizer Orlando Pereira, ciente que “onde quer que possa estar, a Ana Paula estará certamente feliz, por sentir que o seu sonho pôde, afinal, ser concretizado”. “Efectivamente, este era um dos sonhos dessa grande orfeonista, que, talvez para lhe dar o destaque que ela merecia, quis o destino retirá-la de cena, abruptamente, antes do jogo terminado, e é por isso mesmo que aqui estamos reunidos, para homenagear a sua dádiva a esta casa”, disse Orlando Pereira. António Soares de Almeida Roque, amigo da instituição, enalteceu a qualidade da intervenção efectuada e lembrou Ana Paula Silva como uma mulher que “soube ocupar todos os lugares com brilhantismo”. “Morreu em glória, ao serviço de uma causa que ela considerava nobre, e merecia bem este momento”, sublinhou Almeida Roque. O benemérito aguedense não perdeu a oportunidade de destacar a figura do presidente do Orfeão de Águeda, considerando que António de Almeida e Silva “tem sabido alcandorar-se na vida a lugares cimeiros, por méritos próprios”. Gil Nadais, presidente da Câmara Municipal, agradeceu “a todos os que confiaram que a obra seria possível”, lembrou que se tratava de um espaço “com poucas condições” e que a nova sala “vem colmatar uma pecha”. O autarca recordou a noite trágica que roubou a vida a Ana Paula Silva, que, disse “faleceu a fazer aquilo que gostava de fazer verdadeiramente”. E enalteceu a “coragem” de todos os que, de 17 de Outubro de 2009 para cá, têm continuado a escrever a história da instituição.
MENSAGEM DE MANUEL ALEGRE
Manuel Alegre, impossibilitado de marcar presença na cerimónia, por problemas de saúde, enviou uma missiva em que se referiu a Ana Paula Silva como “uma das vozes mais belas do Orfeão, a quem também serviu como dirigente e que, em sua representação, viria a perder a vida. Morreu em missão cultural, pelo Orfeão e por Águeda”, lembrou. “É justo que o seu nome fique para sempre ligado a esta instituição, a que a Ana Paula consagrou o seu talento e a sua própria vida”, defendeu Manuel Alegre, antes de dirigir uma “comovida saudação” a António A. Silva, “pela forma como, apesar de tão irremediável perda, tem sido capaz de dar o melhor de si ao Orfeão e ao progresso cultural e cívico de Águeda”. A Orquestra Filarmónica 12 de Abril (com o Coro Misto e o Grupo de Teatro do Orfeão de Águeda) associou-se à inauguração das obras do Auditório Ana Paula Silva, que Júlio Balreira, dirigente e orfeonista, não teve duvidas em considerar “o marco mais importante na história do nosso Orfeão”.
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