Porque acabei por aceitar
Reservo aos meus leitores da Soberania do Povo o privilégio de os informar, em primeira mã, que decidi, finalmente, publicar, em formato de livro, os textos considerados mais significativos que fui escrevendo ao longo da vida. A ideia vinha amadurecendo há bastante tempo, embora só mais recentemente tenha começado a assumir sérias probabilidades de concretização. Porque nunca me convenci de, algum dia, poder vir a ser merecedor do que é usual chamar-se Antologia, fui resistindo aos apelos de alguns amigos no sentido de não desistir de levar por diante a temerária iniciativa. O ter acabado por me deixar convencer não significa que haja mudado de opinião. Significa , apenas, que me dei conta de possuir um currículo mais rico ( ou menos modesto) do que eu próprio pensava. Afinal, manda a verdade reconhecer que publiquei qualquer coisa como dez volumes de ensaios políticos (dois fora do mercado), nove dos quais prefaciados por conhecidas e consagradas figuras públicas do cosmos político português (Craveiro Lopes, Mário Soares, Lucas Pires, Proença de Carvalho, etc, etc.), além de centenas e centenas de artigos e crónicas em jornais e revistas (Capital, de que fui director, Diário de Notícias, Diário Popular, Soberania do Povo, Homem Magazine, Sábado, etc) acontecendo encontrarem-se, no que respeita aos livros, todos esgotados ou mais do que esgotados ( se a expressão for aceitável) porque nem eu próprio reservei de alguns um exemplar que fosse ! Não fora outra, esta última circunstância já poderia justificar a publicação, não digo de uma Antologia, mas de uma colectânea dos textos que pudessem ser considerados dignos de algum realce. No intuito de propiciar aos leitores uma forma tanto quanto possível sugestiva e atraente, solicitei a colaboração de três personalidades cuja amizade espero que não seja suficiente para subjectivar em demasia a opinião que os meus textos lhes possa merecer: Maria Helena Carvalho Santos, Mário Quartin Graça e Helder Moura Pereira. Conto poder fazer a apresentação do trabalho - que deverá ser editado pela Ancora-- no decurso da próxima Primavera. Cada um dos três colaboradores convidados abordará os temas mais relevantes que eu fui tratando desde que comecei a escrever: Democracia, Colonialismo, Anti-comunismo, Europa. Devido a esta tarefa a que meti ombro, é natural, e possível, que a minha assiduidade como colaborador da Soberania se ressinta, pelo menos até à altura da publicação. Estou em crer que os leitores possam ter a generosidade de aceitar a descontinuidade que acaso se verifique. Seja como for, desde já as minhas desculpas.
CASO FREEPORT
O que tem ocorrido nestes últimos dias com as suspeitas levantadas sobre o 1º. Ministro relativamente ao caso Freeport, merece a mais viva repulsa, quanto mais não seja pela insistência dos orgãos de comunicação social que diariamente infringem, com a maior impudência, o princípio da não condenação prévia antes do caso julgado. Se ao fim e ao cabo se viesse a descobrir qualquer interferência menos lícita no « dossier » sub judice, o cutelo da Justiça deveria cair implacavelmente sobre a cabeça do prevaricador. Mas condenar alguem às galés da ignomínia sem provas nem sequer indícios, é nojento e miserável. Os chamados «julgamentos populares »são indignos de cumunidades civilizadas como a nossa pretende ser. Quem julga de ânimo leve ou por vingança arrisca-se a ficar atolado e emporcalhado no lamaçal que provocou. n HOMEM DE MELLO - Director Honorário SP
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