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A guerra e o desemprego

por Luísa Mello em Janeiro 16,2009

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Tenho de voltar à chamada “vaca fria” porque o espaço no jornal não é elástico e ficava-me esse editorial do “Público” (saído na semana passada) encravado na garganta se lhe não pusesse as palavras a arejar… O assunto, aliás, continua infelizmente actual e a minha opinião mantém-se.
Claro que todas as guerras têm danos colaterais. Por muito cirúrgicos que sejam os alvos - (e neste caso têm-no sido), alguém mais que os culpados se há-de magoar, ou até morrer.
O que é, sem dúvida, muito triste e desumano. Mas o que de certeza não é de aguentar são 60 e tal anos de provocações e terrorismo de vizinhos de ao pé da porta. E já nem se lhes aturam as lamúrias, sabendo se que quem vai à guerra dá e leva. Li outro dia num semanário, a propósito, um editorial com a qual concordo inteiramente. Com licença: "Os princípios do mundo em que vivemos não aceitam o terror dirigido contra populações civis, mas admitem que a acção militar é legítima quando os outros meios se esgotaram. O Hamas é uma organização terrorista. Israel é um Estado democrático onde se toleram manifestações contra a guerra. Quem pretende colocá-los no mesmo plano utiliza a mistificação e utiliza os mesmos métodos relativistas de propaganda que foram desenvolvidos por Hitler e Estaline. (...) Devem ou não aqueles dois viver em dois Estados separados como foi definido pelas Nações Unidas em 1947? Se respondermos sim, há que apoiar Israel e o Presidente da Autoridade Palestiniana. Se acharmos antes que Israel
deve ser varrido do mapa e os judeus lançados ao mar, estaremos com o Hamas e o Presidente do Irão. Não podemos é querer a primeira solução e depois desculpar, com o indiscutível sofrimento dos palestinianos (muito dele auto-infligido), a actuação do Hamas. Da mesma forma que quem foi maltratado na infância ou tem razões de queixa da sociedade possa andar por aí a matar pessoas..." (J. Manuel Fernandes, in “O Público”)
É então este mundo de ódios, de desavenças, de vinganças, de terrorismo, de muita fome e imensa fartura, o que parece estar para durar... O nosso próprio país vive cada vez mais entre a abundância escandalosa e a miséria revoltante. É um fosso de injustiça que, penso eu, revolta até os mais indiferentes! E que pode trazer consequências do género das que todos temos visto... Bem faço por ser optimista. Só não sei se, actualmente, um optimista não é um utópico ou um pateta...
n Entretanto, falou e falou e falou o primeiro-ministro. Tinha feito tenções de nem sequer lhe pôr a vista em cima, quanto mais os ouvidos. Comecei a acompanhar a novela com que a TVI arranjou maneira de “tapar” a atenção para a circunstância, mas sabem como é… “a curiosidade matou o gato”. Deixa lá ver se por acaso milagroso, aparece algo de novo em jeito de prenda no bolo-rei. Apanhei a fava. Nada que valesse a pena. O “ministério” da Propaganda continua em grande forma. Dantes, dizia-se que “elogio em boca própria é vitupério”… Vituperou-se!
Outras conclusões: pouca sensibilidade social. O “item” desemprego, que é fulcral e desesperante, andou pela rama em relação ao necessário. Se me disserem que os entrevistadores, aliás ambos de reconhecidos  méritos, não insistiram muito no problema, o que podiam fazer os pobres de Cristo se o tom era de “quando fala um cristão os burros baixam as orelhas”?. Outro reparo: Sócrates “andou pelo menos um ano e tal na horta sem conseguir ver as couves! O palavrão crise a desenhar-se a lápis grosso de carvão e o governo a impingir-nos raminhos de amores-perfeitos!
Só quando a “panela de pressão” mundial explodiu mesmo é que o estrondo deu cabo do raminho e nasceram os cactos espinhosos do ano de 2009: vai ser de escacha  pessegueiro e as bocas de lobo da recessão no nosso país uivaram pela primeira vez!
Bolas. Isso já por cá se sabia!




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