Expectativas foram por água abaixo
Ainda o ano é uma criança e as eleições já fazem manchete de jornais. Águeda não foge à regra e a singularidade de ser, no país, um concelho com três semanários, cria uma situação de permanente informação sobre a actividade política autárquica, mantendo na agenda das suas páginas os problemas de 20 freguesias, que condicionam, muitas vezes de modo severo e para os níveis que se exigiriam num país europeu, a qualidade de vida dos seus 50 000 habitantes. Da água ao domícilio ao saneamento básico, da escola ao posto médico, do acesso rodoviário ao transporte urbano, do trabalho à cultura e ao lazer, da solidariedade á emigração,da memória pelo passado ao chamar do futuro-muita é a obra que se espera da Câmara de Águeda. Com quase 500 funcionários e 150 milhões de euros de orçamento em quatro anos, a obra realizada é escassa: não se concretizaram dentro do razoável os planos aprovados em Assembleia Municipal e foram por água abaixo muitas das expectativas criadas nas visitas do executivo municipal às freguesias - as chamadas Presidências Abertas. O Plano Director Municipal (PDM), instrumento central para o desenvolvimento sustentado do concelho, ainda espera pelo fim da atribulada saga da Carta Educativa, documento que por lei e obrigatoriamente dele fará parte e sem o qual as comparticipações financeiras comunitárias não são possíveis. Sem maioria na Assembleia, mas com maioria simples na Câmara, o PS e o dr. Gil Nadais assumiram no executivo toda a administração autárquica. E toda a gente se lembra do período conturbado de dezenas de processos e inquéritos internos relativos a abastecimento de combustíveis, autos de medição, reestruturação de serviços e mudanças de cadeiras. A Câmara de Águeda perdeu aí tempo demais e instigou a discussão partidária entre vencidos e vencedores para além do admissível. Secundarizada nas associações regionais, a sucessiva visita de membros do Governo entrou na vulgaridade, do discurso de ocasião e das obras por fazer. Em 2009, o poder local vai a votos. Águeda precisa de uma nova política, que vire esta página de uma Câmara a transformar-se em “ organismo de serviços “, que despudoradamente se auto-elogia em permanência, no seu site www.cm-agueda.pt, para uma autarquia que volte a liderar, sem bairrismos provincianos, a vida e actividade da região. E que faça obra. A obra necessária à qualidade de vida do dia a dia da sua população. Sem muitos foguetes ou panfletos em papel “couchet”. Mas na humildade e saber de quem, sendo eleito, tem por obrigação servir. Não é, Beatriz?
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