Vendas do Estado
Tem vindo a lume a ideia de venda de património do Estado que é considerado desnecessário para a realização das suas funções. Em especial no domínio das Forças Armadas essa solução tem sido encarada com vista a fazer dinheiro que será aplicado em áreas carecidas desse apoio. Parece-me bem! Surge agora a ideia, não sei se já concretizada, da venda quer do Pavilhão Carlos Lopes quer do Complexo Desportivo da Lapa (antiga Casa da Mocidade). Desde sempre que o desporto se debate com falta de instalações para a sua prática e os seus dirigentes sempre lutaram por elas, em especial, bem localizadas. Ou seja, as pessoas, para serem atraídas para a prática desportiva, deveriam ter a possibilidade de “tropeçarem” nelas nas suas deslocações habituais! Em 1966, o I Plano de Fomento Gimnodesportivo pretendia colmatar, entre outras coisas, a enorme deficiência de instalações cobertas e apontava para a sua construção nos terrenos das (ou junto) das escolas e de forma a servirem, durante o dia, as próprias escolas, e ao fim de tarde/ /noite as agremiações desportivas. Os anos passaram e hoje, ao que parece, privilegia-se mais, não a prática desportiva, mas, sim, o espectáculo desportivo. E, por isso, o país tem sido dotado de magníficos pavilhões, com muitas cómodas bancadas, mas localizados, em grande parte, longe das Escolas e dos centros urbanos. Diga-se, porém, que se progrediu bastante também em termos escolares - o que é justo reconhecer -, mas não o suficiente. Ainda que o Pavilhão Carlos Lopes seja (?) destinado ao futuro Museu do Desporto, o certo é que o recinto deixa de ser utilizado para a prática desportiva, e isso é que dói… Museus colocam-se em qualquer parte… Quanto ao Complexo da Lapa, o ginásio, o polivalente, a piscina, a sala de armas… vão para onde? Será para arranjar dinheiro para o Estádio Nacional? É pena esse sacrifício de lesa- -desporto de formação… A Lapa é no coração da cidade, lembremo-nos disso… Não! Não queira o Estado transformar o sector desportivo num agente imobiliário sem escrúpulos que sacrifica o próprio desporto de formação… aos negócios, nem sempre muito transparentes…
2831 vezes lido
|