Conto de Natal ou... um sonho
Leio e medito o Profeta Isaías. Vaticinou ele: “ Dias virão em que a montanha sobre a qual está o templo do Senhor ficará acima de todas as montanhas, mais alta do que qualquer outro monte; e acorrerão a ela os povos de todas as nações, em enorme multidão, exclamando: “Venham! Subamos à montanha do Senhor, ao templo de Deus de Israel! Ele nos ensinará o que devemos fazer, para podermos cumprir a sua vontade”. Do monte de Sião, em Jerusalém, é que o Senhor nos ensina com a sua palavra. Ele será o juiz entre as nações e o árbitro nas questões entre os povos. Eles hão-de converter as suas espadas em arados e as suas lanças em foices. Nenhum povo levantará a espada contra outro nem voltarão a ser treinados para a guerra.” (Is. 2/2-4). E mais à frente o mesmo mensageiro de Deus pré-anunciava: “Um novo ramo sairá do tronco de Jessé, e da sua raiz brotará um rebento… A justiça e a lealdade serão a cintura com que ele se aperta continuamente. Então o lobo habitará com o cordeiro, o leopardo deitar-se-á junto do cabrito, o vitelo e o leão pastarão juntos; até uma criança pequena os conduzirá. A vaca pastará com o urso, as suas crias deitar-se-ão juntas, e o leão comerá erva com o boi. O bebé brincará na toca da cobra, e a criança meterá a mão no buraco da víbora. Não haverá mais mal nem destruição em toda a montanha santa do Senhor, porque o conhecimento do Senhor encherá o país, tal como as águas enchem o mar”. (Is. 11/1-9) Deixo-me seduzir por esta esperança. Embalo-me e acalmo os meus pensamentos de temor e insegurança porque me invadem visões belas e pacificadoras. Vejo os povos das grandes nações, ditas senhoras da força e do mundo, soltarem os países mais pequenos para, apenas, os ajudarem a crescer com a sua identidade própria e as suas riquezas locais. Não observo mais as crianças a ficarem sem parte do seu corpo inocente porque as guerras de interesses económicos terminaram. Descubro que todos os homens podem crescer com os seus direitos respeitados e os seus deveres cumpridos. Contemplo as enormes fábricas que, outrora, produziam mortíferas e horrendas armas de guerra transformadas em produtoras de pão e saúde. Olho para tantos milhares de pessoas que emigram de uns países para outros em busca de melhores condições de vida sem que sejam abatidos no seu êxodo como qualquer animal, sem direito ao bem-estar, ou sejam encurralados nas prisões sob o peso do simples crime de procurarem somente o sustento, o seu e o dos seus. Alegro-me por, em todo o mundo, os governos e seus mandantes estarem a recuar das leis e permissões iníquas e a tomarem consciência dos grandes valores que são de todos e que devem ser engrandecidos. Satisfaço-me por o movimento demográfico começar a subir porque as crianças vão nascer com frutos de muito amor e não terão os instrumentos de morte à sua espreita mesmo quando ainda no seio materno. Olho com elevação para todas as pessoas que não vão ter medo nem vergonha de sair a terreiro para defender a vida que é dom de Deus votando o não a quaisquer práticas abortivas apresentadas por mentalidades de destruição e morte. Sinto-me feliz por saber que os casais se entendem reciprocamente e são fonte de segurança e felicidade para os seus filhos a quem acolhem, ajudam, acompanham nas suas lides de instrução humana, social, cívica e religiosa. Imagino e admiro os olhitos das crianças que não são nunca mais espancadas e fitam os pais com toda a certeza de que estão a ser por eles acauteladas e protegidas. Que bom vê-las a serem acompanhadas em todas as horas pelo desvelo dos seus pais sempre presentes no que é essencial. Salto de satisfação por estar rodeado de gente que procura compreender os valores, os caminhos de fraternidade e de paz, mensagem que Aquele Menino proclamou no desprendimento e na humildade do seu nascimento num presépio. Ah! Acordo, agora. Vejo que me deixei adormecer nos braços da profecia de Isaías e que tudo quanto pensei ou as outras coisas que ansiei, apenas não passaram de um sonho de Natal. Mas, também, já agora, permitam-me que, justificadamente como cristão, eu possa desejar um mundo futuro tornado melhor com a vontade e o esforço de todos nós.
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