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Afinal, de Ferreira Leite, o silêncio era de ouro…

por Manuel José Homem Mello em Dezembro 03,2008

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l Aviso desde já que este escrito pode ser considerado tendencioso! É apenas a minha opinião!
l “A política é a arte de impedir as pessoas de meterem o nariz em coisas que lhes dizem realmente respeito”, dizia Paul Valérie, poeta francês, não tão longínquo assim. Concordo. Se bem que haja narizes que abusam e até se metem onde não deviam... Isto, a propósito da  reacção do paladino, quase chefe de Cruzadas, que se chama Alberto Martins e é, se não estou em erro, o chefe da bancada parlamentar do PS, à “boutade” da drª. Ferreira Leite sobre o “fecho da democracia” aí por uns seis meses. Ora porque não havia a chefe da oposição de dar uma sugestão bem humorada à farsa em que se transformou a Educação no nosso país? Será a democracia como as vacas sagradas na Índia?
A ver se nos entendemos: a posição do ministério da Educação em exercício tem sido democrática?! Não vale, portanto, vir a terreiro amaldiçoar como ideia herética, cheia de perigos subversivos, palavras que até tiveram a sua graça. (A não ser que a drª. Ferreira Leite tencione aproveitar o descontentamento da tropa e armar-
-se general Gomes da Costa!...). Sinceramente: há por aí quem esteja com medo de uma bernarda daquelas do antigamente? Deixem que a liberdade de expressão se revista de um certo sentido de humor, pelo amor da Santa! Por mim, já tinha fechado todas as ditaduras africanas, algumas “democracias” sul-americanas e tapado com cimento as cavernas do Afeganistão. E, apesar de tudo, prezo muito a liberdade. Não há nada como podermos exprimirmo-nos à vontade, por pensamento, palavras e obras. Meter o bedelho nas coisas da cidadania, desde que o nosso bedelho não colida com o bedelho dos outros... No tempo do senhor em que estão a pensar, a garotada cantava alegremente por ruas e quintais e até nos recreios das escolas (nessa altura não havia DREN’s e suas comissárias políticas, havia a PIDE mas, pelos vistos, não foi tão zelosa como a drª. Margarida da DREN, em relação ao professor Charrua outras culpas teve no cartório e até mais graves, mas em Democracia não se esperam destas!...). Cantavam--se uns versos assim: “Liberdade, Liberdade/quem a tem chama-lhe sua/Eu não tenho liberdade/nem de ir à porta da rua!...”. Acreditem. Eu também cantei. E pensando bem: agora é que a minha liberdade de ir à porta da rua, quando me tocam à campaínha, está muito condicionada. Sem que me digam umas três vezes quem está do outro lado e a confirmação pelo olho da porta, a liberdade de a abrir entra em colapso. Mas voltando ao início: brincar com a democracia será em Portugal como, nos países árabes, derrespeitar Maomé? Coisa digna das pavorosas fogueiras da Inquisição? Que seja o dr. Menezes de Gaia, ressabiado e invejoso, o dono deste fundamentalismo parvo, acho normal. Todo o PS, acho exagero. A não ser que já se lhes não possa contar uma gracinha, sem fazer primeiro o desenho. Dahh!...- LUISA MELLO

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