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Crise é... palavrão

por Luisa (dra) Mello em Novembro 07,2008

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Ao invés de tantos outros que, à força de tão repetidos, quer na sua forma verbal quer na escrita, deixaram de o ser, qualquer dia crise será palavrão. Não só pela presença obsessiva dos últimos tempos... (e aos tempos que ela andava encapotada!) mas pelo efeito desmoralizador que tem e, por isso mesmo, não ser apenas exclamação “biológico-brejeira” de arrelia, mas o velho “não mata mas mói” das coisas que permanentemente nos parecem eternizar-se.
Miguel Esteves Cardoso, dos nossos escritores com maior e melhor verve humorística, escreveu uma vez que palavrão é alívio e deu uma série de exemplos que não são curiais citar num jornal para famílias... Da minha lavra, vai um exemplo inócuo: uma martelada num dedo dói menos com um “valha-me Santo Ambrósio!” ou com qualquer outro desabafo, muito menos católico mas, digamos assim, mais “pesado”?! E por aí fora, nas circunstâncias que queiramos imaginar... Daqui que, qualquer dia, a tal martelada no dedo, a “tal”  cartinha das Finanças, a conta da água, a fazer-nos perguntar onde diabo tenho eu a piscina, ou da electricidade, a deixar-nos na dúvida de qual a indústria que labora dentro das sagradas paredes do lar, as sessões da Assembleia da República onde só falta berrar “ó viva da Costa” e dar com sapatos em cima das bancadas, à Kruschov em sessão do ONU, em idos mas até já saudosos tempos, o sorriso da serpente do nosso PM sempre que os “idiotas” que lhes não baixam a cerviz se atrevem a olhar-lhe nos olhos, os anúncios - peditórios por carta, por prospecto, por desdobrável, por rede-fixa, por telemóvel, de viva voz, o raio das milhentas vicissitudes da vida contemporânea...- qualquer dia, prevejo, pode vir a exclamar-se “crise!!” em vez das expressões batidas do costume. Toca a arranjar um vocábulo substituto, que, com este, já não se pode! Que tal “descalabro?” É mais complicado de dizer mas capaz de acabrunhar o mais distruído e irresponsável dos cidadãos... Por outro lado, e pensando bem, vale de alguma coisa acabrunhar?...
Um dia destes, li num semanário esta consideração de um fino analista do “descalabro”: “No fundo, as democracias baseiam-se no desejo de liberdade dos cidadãos, mas também no sentimento de que proporcionem bem-estar. E se deixassem de proporcionar?
Por outras palavras: a democracia sobreviverá na pobreza geral?”
Quando penso num Continente simultâneamente tão rico e tão miserável como a África, acho que não.
Temos de novo a buzinar aos ouvidos as esquerdas, com os ricos que paguem a crise... Se a eterna sacrificada classe média é sinónimo de ricos, já está a pagar, esta e outras, há uma catrefada de anos. Castigo exageradíssimo para quem trabalha, paga impostos directos e indirectos, não pede empréstimos aos Bancos para jogar na Bolsa e consegue mesmo assim ter doce à sobremesa e um carro vistosinho. Os bloquistas estão a  subir nas sondagens à custa deste antigo “pregão”, porque o povo pensa que o que eles dizem seria o que eles fariam. Como escreveu o britânico Joseph Conrad, “ou espírito revolucionário é muito conveniente: liberta-nos de todos os escrúpulos, no que se refere a ideias”. Não estando, de longe, do lado mais favorecido, atrevo-me, mesmo assim, a perguntar: que seria dos pobres se não houvesse ricos? Que labirinto este!
No meio deste “rodízio”, mesmo a condizer com o dia das bruxas que se aproxima, e falando só da Europa. Sarcozi tem sobressaído pela positividade das suas iniciativas. Eu sempre achei que aquele homem tinha pinta!


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