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Ou… quando cairá a espada sobre a nossa cabeça?

por Padre Manuel Armando em Setembro 04,2008

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São muitas as histórias verídicas ou fantasiadas de longos tempos,
que ultrapassaram já gerações inteiras e permanecem exaradas nas obras de
escritores clássicos ou, até, conservaram a sua importância porque
simplesmente contadas de boca em boca, de pais para filhos. Não deverá
haver nenhum povo, até na mais recôndita aldeia, que não saiba contar,
milhentas vezes, um feito, um sucesso, uma vitória ou uma derrota de
guerreiros e conquistadores, cavaleiros e fadas, de homens da ciência ou da
técnica, de santos, heróis ou de ladrões, de reis e vassalos, de tiranos e
espezinhados, de bruxas e curandeiros, de pessoas e de animais. Fazem
parte do imaginário, de um folclore popular, da cultura e costumes ou da
essência própria das façanhas de um povo.
Histórias ou factos que nos impressionam constantemente e marcam,
sobremaneira, o nosso próprio agir. Em muitas delas, talvez até,
gostássemos de entrar como protagonistas ou figurantes. Mas, por causa
doutras somos invadidos pela repulsa e pela náusea, tão grosseiras e
medonhas ou grotescas se apresentam ao nosso conhecimento para nos
desestabilizarem ou abalarem nos íntimos sentimentos humanos e cristãos mais puros.
Há as histórias que nos embalam em sonhos e nos fazem sorrir, mas
também outras que mexem com as nossas exigências e missões e nos
estremecem num frémito de revolta e vontade de denúncia para não referir
ou afirmar vingança.
A partir de todas elas podemos viver ou enquadrar a nossa própria história.
ERA UMA VEZ...
Os miúdos têm sempre os olhos arregalados para o conto e a
inteligência e os sentidos voltados na direcção da procura e descoberta da
verdade.
Este, o "miúdo" que tenho na minha frente, não fugiu à regra. Ouviu
em casa, na escola e, mais em pormenor, na Catequese, que houve um
homem nascido de modo misterioso e portador de encargo não menos
interessante ou intrigante. O seu crescimento aconteceu quase na penumbra da solidão, vestindo-se de modo austero e alimentando-se em quantidades frugais com bens da natureza.
O menino aprendeu o nome desse personagem. Soube que lhe
chamaram João o qual, no deserto, se preparou para os importantes embates
e desafios a enfrentar, perante os grandes senhores do tempo a quem não poupou nas suas acusações e denúncias. Chamou a quem se abeirou dele, com intenções menos correctas, "raça de víboras", e mesmo ao Rei que
havia tomado a mulher do próprio irmão como sua, verberou-o, olhos nos
olhos, porque tal acto era adúltero e ignominioso. Herodes, furioso e
instigado pelas pessoas e circunstâncias do momento, mandou degolar
João, o Baptista, que não teve papas na língua nem temeu tais consequências funestas ou drásticas.
Era uma vez... um menino que ouviu esta e tantas outras histórias.
Entretanto, cresceu. Vive neste tempo actual e já toma entendimento de
muitas coisas. E ao constatar, através dos Meios de Comunicação, que
algumas pessoas denunciam tantos casos e factos evidentes na sua verdade mas causadores de engulhes e embaraços a muita outra gente e que, por isso, lhes são cortados direitos de dignidade granjeada por mérito pessoal, pensa, com honestidade e simplicidade, que nunca poderá "chamar os bois pelo nome próprio", denunciando sociedades e indivíduos com as suas prepotências ou desonestidades públicas, compadrios e subornos, negócios escuros e branqueamento de condutas, porque está sujeito a ser degolado na sua família, no seu emprego, negócio ou vontade de fazer algo de positivo para si e para outros.
Na verdade, era uma vez... mas, hoje e agora, é um menino que
anseia por nunca ter medo de afirmar a verdade, mesmo com o risco de
que, sobre a sua cabeça, vá cair o gládio daqueles senhores que se julgam poderosos e intocáveis.
E que ele só pensa, e bem, que, sem a verdade, o mundo não caminha
nem avança.  n PMA

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