A Europa connosco!...
Quando Soares nos "impingiu", estusiasticamente, a CEE da altura e as varandas se começaram a enfeitar de tiras, proclamando "A Europa connosco!", o argumento era na verdade aliciante. Resume-se em poucas linhas: sendo nós pobres, entrar para o clube dos ricos era quase como o sarampo, era contagioso. Se não como o sarampo, pelo menos como um pé partido: as canadianas (Europa...) ajudariam. Nessa altura, torci o nariz: ora porque a Europa não tem História e as Histórias dos países que a constituem nunca produziram mais do que guerras e nacionalismos exarcebados, ora porque um "motor" na Alemanha, se havia de "gripar" era nos países mais pobres da União. Pensava eu. Continuo a pensar e, quanto à propaganda das ajudas das riquezas europeias, estou mais em chorar do que em rir. Passados todos estes anos de ilusão e dinheiros-chamarizes mal orientados, que é que nos resta? Auto-estradas, rotundas, feias casas de emigrantes a desfear paisagens, um CCB. Menos mal, que a pedra sempre vai ficando e a fome, se não matar, habitua os estômagos a menos ração e os hábitos a menos ostentação. Não me consta que o Povo deixasse de passar fome no tempo de D. Manuel I, de D. João V, mas os Jerónimos lá estão e o palácio de Mafra também. E já agora, em tempos de Europa, o Centro Cultural de Belém e, pelo menos, a auto-estrada Lisboa-Porto. Neste último caso e em troca de cimento e betão, a mãe-Europa mandou-nos desmantelar a agricultura e as pescas, acabar com os têxteis e outras "mariquices" industriais. Em resumo: sermos obedientes, respeitadores e obrigados, ainda por cima. Obrigados de quê?! Se formos a pensar que a agricultura e a pecuária, as pescas,os têxteis e outras indústrias nos eram fornecidas a troco dos excedentes enviados pelos tais países ricos, a tão "módicos" preços que hoje não os temos na nossa terra e ainda estamos a dever dinheiro e a pagar juros com língua de palmo, obrigados por quê! Não falando já naquele valor que não tem quem o pague: a perda da Soberania pátria. Obrigado! Só se fôr por andar de cruz às costas. E, hoje mesmo, vem a OCDE dizer que vamos precisar ainda de mais austeridade!!! Austeridade é palavrão que já nem sequer comento! Pelo contrário, a Troika que hoje também apareceu, qual ASAE de fora, vai, adivinho, chamar-nos lindos meninos, de cintos apertadinhos e espartilhos de partir costelas. Palmadinhas nas costelas e até à próxima. - LUISA MELO - 22-05-12 PS. Não me ponho a comentar o caso -"Público"-Relvas, Deus me livre e guarde! A ser completamente verdade, pergunto a mim própria como é que o ministro mais político deste governo foi cometer uma BURRICE tão grande! Só por ela merece todas as "avalanches" que lhe caiam em cima... n LM
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