O novo comandante do Destacamento da Guarda Nacional Republicana de Águeda, Capitão Nuno Alberto, considera que Águeda é um concelho seguro e baseia a sua afirmação nos dados estatísticos do Relatório Anual de Segurança Interna, que revelam alguma estabilidade no número de ocorrências declaradas pelas forças policiais.
Nuno Alberto considera que tem os meios disponíveis para o cumprimento das missões que lhe estão atribuidas, embora “gostasse de ter mais”. Comparando a evolução dos diversos tipos de crime, destaca a violência doméstica, “que tem vindo a aumentar”.
SOBERANIA DO POVO (SP): Considera Águeda um concelho seguro?
NUNO ALBERTO (NA): Sim, Águeda é um concelho que considero seguro. É importante que se faça a distinção entre falta de segurança e sentimento de insegurança. Este, como o próprio nome indica, é um sentimento que nem sempre tem correspondência com a realidade. O Comando não descura, no entanto, este sentimento de insegurança, que a generalidade da população experimenta, mas que, por vezes, não se consubstancia num aumento efectivo da criminalidade.
SP: Como assim?
NA: Segundo os dados de 2007 do Relatório Anual de Segurança Interna, a criminalidade em Portugal manteve-se estável, apenas com um acréscimo de 526 casos em relação a 2006, isto em 391.611 participações elaboradas ao longo de 2007 pelas três forças de segurança: GNR, PSP e PJ. De realçar ainda, que segundo o mesmo relatório, a criminalidade nas áreas policiadas pela GNR apresenta um decréscimo de 1,3 %.
ÁGUEDA SEM
PROBLEMAS GRAVES
SP: Como é que os números evoluíram em Águeda?
NA: Águeda não foge à regra! Em termos de criminalidade registada, mantém-se estável relativamente ao ano transacto. Pode-se afirmar, sem qualquer reserva, que, nesta região, não existem graves problemas de segurança.
SP: Mas a GNR não vai abrandar a sua missão...
NA: Não podemos deixar de estar atentos, vigilantes e pró-activos, no intuito de, cumprindo a missão preventiva que à Guarda é legalmente cometida, detectar situações de criminalidade, ou dela potenciadora, causadoras de alarmismo social e do referido sentimento de insegurança.
SP: E o que é que se tem feito nesse sentido?
NA: Temos realizado, continuamente, acções de prevenção e repressão direccionadas e inopinadas, assim como acções planeadas de combate à criminalidade e ilícitos contra-ordenacionais graves.
SP: Como é que caracteriza este concelho no que respeita à sua área de acção?
NA:A área de acção do Destacamento de Águeda, e em concreto o concelho de Águeda, caracteriza-se pelas relativamente boas acessibilidades, pela grande industrialização e desenvolvimento económico, que tornam a região aliciante para as pessoas que nela se instalarem e viver. Esta realidade não é alheia ao facto de certos indivíduos, cujo modo de vida é menos recomendável, também se sentirem atraídos para esta região de inequívoco desenvolvimento e criadora de riqueza.
MAIS PATRULHAS...
MAIS DETENÇÕES
SP: Considera suficientes os meios que tem disponíveis?
NA: Todo o comandante gostaria de ter sempre mais meios à sua disposição. Mas considero que os meios humanos e materiais disponíveis, permitem, em conjunto com o empenhamento e abnegação que caracterizam os militares da Guarda, que a missão seja cumprida, respondendo às solicitações e anseios dos cidadãos.
SP: Mas gostava de ter mais meios. É isso?
NA: Se o Destacamento possuísse mais meios, outras acções poderiam ser desenvolvidas para que o sentimento de insegurança, (que, como já referi, não quer dizer que condiga com falta de segurança), fosse mitigado e, eventualmente, banido.
SP: O que não é uma tarefa fácil...
NA: É evidente que não. De qualquer forma, ilustrando o trabalho desenvolvido pelos militares que servem o Destacamento da GNR de Águeda e os seus Postos, os indicadores estatísticos registam que, no primeiro semestre de 2008, o número de detenções em flagrante delito aumentou 7,8 % e o patrulhamento teve um incremento de 1,2 %.
PEQUENA
CRIMINALIDADE
SP: Que tipo de criminalidade lhe merece mais preocupação?
NA: O crime mais prevalente na região é a chamada pequena criminalidade, nomeadamente os furtos cometidos por indivíduos da zona, “mais ou menos” referenciados, e por indivíduos oriundos das chamadas cidades grandes, como o Porto ou Coimbra que, por via da fácil mobilidade e posição central de Águeda, escolhem a cidade para desenvolverem a sua actividade criminosa.
SP: É essa a grande preocupação?
NA: É óbvio que a preocupação da Guarda reside, não só, na incidência deste tipo de crime, como também em todos os outros, mais graves, que possam pôr em causa a segurança e bem-estar da população. Para isso, a GNR trabalha continuada e arduamente, tendo sempre como objectivo a resolução dos problemas dos cidadãos.
VIOLÊNCIA
DOMÉSTICA
SP: Onde tem sido maior a incidência criminal?
NA: A incidência de certo tipo de crimes, como, por exemplo, de violência doméstica, tem vindo a aumentar. Ainda que não existam dados concretos sobre o fenómeno, os estudos já efectuados por diversas entidades, que sobre ele focalizaram a sua atenção, permitem concluir que o aumento de criminalidade participada não terá a sua origem num concreto e efectivo aumento de crimes cometidos.
SP: Então?
NA: Este acréscimo alicerça-se no facto das vitimas deste crime estarem mais cientes dos seus direitos, e de cada vez mais se instalar no seu espírito a convicção de que as forças policiais se constituem como uma decisiva ajuda na resolução do seu problema. A mesma análise e conclusões se aplicam, com as devidas adaptações, aos crimes e infracções ambientais.
Ver edição SP impressa