Os homicidas-suicidas
Ocorreu, recentemente, mais um crime de homicídio-suicídio: um homem de lbergaria tirou a vida à mulher e filho e a si próprio, no âmbito, que se tem conhecimento, de uma separação. São casos raros e os estudos sobre os homicidas-suicidas são também escassos. Apesar da baixa incidência destes crimes, têm um impacto significativo em crianças, famílias e comunidades de vítimas e ofensores e na sociedade, em geral, pela violência imputada e pelas ligações familiares envolvidas. Marzuk, Tardiff e Hirsch, em 1992, delinearam uma tipologia clínica com cinco tipos de homicidas-suicidas: conjugais com ciúme como motivo; conjugais com a saúde debilitada; filicidas-suicidas (inclui os casos de mulheres que põem termo à vida dos filhos e a si próprias). Os familicidas-suicidas incluem, sobretudo, homens que põem termo às vidas das famílias ao experienciar um nível elevado de stress financeiro e/ou marital. O caso de Albergaria insere-se nesta tipologia. Os ofensores procuram, através da violência, acabar com a frustração, com determinadas circunstâncias de vida, com o sofrimento e humilhação ao matarem os conjugues, aludindo-se ainda à célebre frase “não és minha, não és de mais ninguém”, principalmente em casos de separação. “Levam” os filhos, na sua perspectiva, por considerarem que não eram imparciais, em casos de separação, ou como forma de “protecção”, para não os deixarem órfãos com tudo o que isso implica. Denote-se que neste caso, o filho não foi morto da mesma forma, foi asfixiado e não esfaqueado (como a mãe), implicando “menos” violência, o que infere na análise da perspectiva do homicida. Pode estar ainda implícito o sentido: nenhum tem sentido de existir sem o outro. Por fim, define-se os homicidas-suicidas extra familiares (na maioria são pessoas decepcionadas, com características de paranóia, que percepcionam que foram enganados por terceiros, sentindo-se magoados e, por vingança, perpetram o homicídio, pondo termo à sua vida em seguida). Neste tipo, inserem-se os indivíduos que efectuam homicídios “em massa”, como os jovens que, nos Estados Unidos e Finlândia, entraram nas suas escolas e mataram inúmeros colegas. Referencia-se a importância de um contínuo apoio psicossocial a pessoas, famílias e comunidades na prevenção de situações deste âmbito, que nos fazem questionar sobre o ser humano, até onde pode ir e como pode quebrar, laços, que se adquirem como certos, e limites que se julgam intransponíveis pelos afectos que se lhes imputam. É ainda necessário um maior investimento em termos de investigação destes casos, de modo também mais uma vez a actuar a nível da prevenção.
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