Fermentelos: Sou um pobre enteado do concelho de Águeda!...
Amílcar Lemos Pires, não tem papas na língua. Considera-se um “enteado” e só vê um motivo para isso: “A inversão política que houve neste concelho”. Lamenta que as freguesias estejam tão dependentes dos “favores” da Câmara Municipal e não enjeita a possibilidade de se candidatar a mais um mandato: “Se estiverem reunidas as condições necessárias, serei candidato”.
Amílcar Lemos Dias tem 70 anos de idade e um percurso político com várias experiências autárquicas. Foi duas vezes presidente da Assembleia de Freguesia, tem cinco mandatos como vereador na Câmara Municipal e vai no terceiro mandato como presidente da Junta de Freguesia de Fermentelos. SOBERANIA DO POVO (SP): Considera-se um “dinossauro autárquico”? AMILCAR DIAS (AD): Não. Vou, apenas, no meu terceiro mandato como presidente da Junta de Freguesia. SP: Que vantagens vê em mandatos muito prolongados? AD: Como vantagens, um grande rol de conhecimentos, que as pessoas que estão há pouco tempo, não podem ter. Traz-nos “calo político”. Mas lamento que, apesar de todo este tempo na presidência da Junta, não tenha tido ainda oportunidade de ver cumpridas as promessas camarárias, no que toca a Fermentelos. SP: Considera existir demasiada dependência das freguesias relativamente à Câmara Municipal? AD: Todas as freguesias do concelho, excepto o Préstimo, estão totalmente dependentes dos “favores” camarários. SP: Nestes doze anos à frente da freguesia qual a obra que mais o orgulha? AD: A que mais me orgulha foi o arranjo do campo de futebol, que constituiu uma grande mais valia para a juventude. Também gostaria de destacar outra obra, que foi a construção do pavilhão gimno-desportivo.
A DESILUSÃO DA PATEIRA
SP: E qual foi a sua grande desilusão? AD: O aproveitamento turístico da pateira de Fermentelos. Essa aposta tem sido uma grande desilusão! SP: Que projectos gostaria ainda de ver realizados neste mandato? AD: Gostaria de ver realizados todos os projectos que tenho vindo a apresentar à Câmara Municipal, ano após ano, que são aprovados e que, depois, não se concretizam. SP: Dê-nos um exemplo... AD: Por exemplo, o arraial de Nossa Senhora da Saúde, que é, sem dúvida, o pior largo que se encontra em todas as freguesias do concelho. Anualmente são colocadas verbas no orçamento para a intervenção que se justifica, mas, sabe-se lá porquê, nunca lá foi gasto um cêntimo.
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