Tolerãncia
O músico tocava a esplanada do restaurante e o companheiro veio à mesa solicitar uma contribuição. Estava à conversa e debitei um “não!”, frio, antipático e sem minimamente dar atenção a quem o solicitava. Apenas ouvi um agradável “obrigado”! Aquela atitude simpática e correcta chamou a atenção. Havia sido rude e recebia agradecimento. Fiquei com vontade de contribuir e assim me redimir da descortesia. Um par de horas depois, parei num cruzamento para dar passagem a uma viatura da polícia. Com um gesto amigável, o polícia agradeceu o meu gesto. Outro par de horas depois, dei por mim a fazer uma asneira de trânsito, daquelas que mancham a carta de condução. Um carro patrulha viu e abordou-me. Documentos entregues e o respectivo “auto” em preparação. Após alguns momentos de conversa sobre a minha falha, vi-me a concordar em não repetir essa falha, condição sugerida pelos agentes para não me autuarem. Prometi-o e disse: “agora, se bem me conheço, fico limitado a ter que cumprir esta promessa! Dificilmente me esquecerei e por isso provavelmente não voltarei a repetir a falta!” Estava a ser sincero. Com aquele gesto de tolerância, os agentes haviam imposto a sua autoridade no meu futuro comportamento. Três exemplos numa soalheira tarde de verão, mostrando que o nosso país evoluiu muito no civismo, na tolerância e no respeito, próprios de uma sociedade evoluída. Por vezes este nosso país faz com que o achemos o melhor lugar do Planeta para viver! - EC
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