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As férias e a leitura dos aguedenses

por Carlos A. Abrantes em Julho 18,2008

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Sou um leitor compulsivo. Leio de tudo. Livros e jornais, revistas e folhetos de supermercado. Leio romances e ensaios, prosa e poesia, coboiadas e Patos Donald.
E porquê este vício da leitura?
Talvez porque a televisão só tenha aparecido lá por casa quando eu já era um pré-adolescente vidrado em Zorros e Mandrakes, Tios Patinhas e Patacôncios.

- LER SEMPRE: Ou talvez porque o dedicado professor Oleastro, da Biblioteca Itinerante da Gulbenkian, me tenha iniciado cedo na leitura de “Os Miseráveis”, de Victor Hugo, e de “O crime e Castigo”, de Dostoyevsky.
Ou talvez ainda porque, na década de sessenta, o trabalho infantil não era considerado crime. Não encontram relação entre o trabalho infantil e a leitura? Eu explico. Nesse tempo, quando acabavam as aulas e regressava a casa, esperavam-me sempre duas tarefas: os trabalhos escolares e os trabalhos do campo. Ora, como os segundos eram mais penosos do que os primeiros, eu dava prioridade às tarefas escolares e fazia-as render ao máximo. Para isso a revista de banda desenhada escondida debaixo do livro de estudo ajudava muito...
Vêm estas considerações a propósito do período de férias que se avizinha. Período de descanso e lazer, tempo de recarregar baterias e de quebrar rotinas.

- (IN)DISPONÍVEIS:Se é daqueles para quem as férias são para comer e dormir, com uns intervalos para uns mergulhos nas águas frescas do Atlântico, ou nas águas tépidas do Mediterrâneo, então passe à frente. O mesmo aconselharia aos viajantes apressados que se propõem fazer a rota disto ou daquilo, explorar este ou aquele país, esta ou aquela zona do globo. Tanto uns como outros, estarão indisponíveis para a leitura. Os primeiros, por inércia. Os segundos, por excesso de actividade. Uns terminarão as suas férias com um belo bronzeado e mais uns quilitos. Os outros regressarão cheios de recuerdos e de fotografias. E também cheios de histórias para contar, umas verdadeiras e outras nem por isso. Acabado o périplo exploratório, estarão extenuados, a necessitar de descanso.
Mas voltemos às leituras. Como dizia uma professora de Inglês que tive nos finais dos anos 60, “o que é preciso é ler, não importa o quê”. E acrescentava, com um sorriso maroto: “Se não quiserem ler o Shakespeare, leiam a Playboy, mas leiam qualquer coisa”.

- AUTORES DE ÁGUEDA: Era uma forma estranha de promover a Língua Inglesa, mas resultava.
Leiam! Leiam os clássicos ou os contemporâneos, os portugueses ou os estrangeiros. E leiam também os autores aguedenses. Mas tenham em atenção que Águeda é muito mais do que António Feliciano de Castilho, Adolfo Portela e Manuel Alegre. À nossa terra, está ligado um conjunto notável de gente com obra publicada: Américo Barata Figueira, António Almeida Silva, António Correia Abrantes, Armor Pires Mota, Bruno de Almeida, Chula d'Águeda, Costa e Melo, Deniz Ramos Padeiro, Fausto Oliveira, Fernando Braz, Hildebrando Veiga, Jaime Caldeira Fernandes, Lídia Valente Almeida, Lucénio Rodrigues Almeida, Manuel do Carvalhal, Maria Antónia Morais, Maria Emília Amaral e Odete Ferreira são alguns exemplos. Haverá outros, mas limito-me a referir os que constam da minha biblioteca.
Todos, citados ou olvidados, eruditos ou “naive”, são merecedores da nossa consideração e apreço. E devem ser lidos.
n carlos-a-abrantes@clix.pt



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