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Sociedade: Movimento associativo do concelho de Águeda

por Redacção Soberania em Junho 25,2008

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Se os números dissessem tudo, o concelho de Águeda seria o paradigma do país. Um exemplo e um orgulho para todos. Existem em todo o concelho, declaradas, mais de centena e meia de associações desportivas, recreativas, culturais, musicais, de solidariedade social e outras.

Um fervilhar de associações que, aparentemente, deveriam traduzir alguma efervescência associativa nos domínios em que se traduzem, com crescente participação das camadas mais jovens. Mas será assim? Nem tanto.
Cada caso é um caso e, se, no campo musical, quanto maior a envolvência humana, melhor servida é a terra, haverá associações, ditas recreativas e culturais, que terão que repensar os seu futuro, no colectivo, para sobreviver a alma que lhes deu corpo.
As respostas às questões fundamentais sobre o futuro do movimento associativo variam, mas o pano de fundo é sempre o mesmo: os novos tempos, efémeros, fáceis e alienantes, trazem ventos de mudança nos comportamentos das novas gerações. O culto do individualismo, a insegurança quanto ao futuro e o “stress” do quotidiano, que caracterizam o mundo contemporâneo, não são de molde a cativarem os jovens para a vida associativa.

Vazias, como os lugares que as edificaram

Então, porque existem ainda, tantas associações?  A população do concelho tem estagnado, em número, nas últimas décadas. De acordo com o censo de 2001, não chegava aos 49 mil habitantes, existindo hoje, cerca de 40.500 eleitores. Ou seja, 83% da nossa população tem mais de 18 anos. Preocupante!
A grande maioria das associações presentes, acumula décadas de existência e tiveram a sua génese, na defesa dos interesses das populações contra o isolamento e o desprezo a que as votavam as autoridades centrais, com um poder autárquico despiciendo e um poder central ausente. Com o 25 de Abril, houve um enorme incremento do associativismo, com o reforço do poder autárquico e o consequente reforço de verbas, o que lhes permitiu algum desafogo e alguma sustentabilidade.
Mas os tempos mudaram. O país foi literalmente retalhado com novas estradas, novas infra-estruturas e outra mobilidade, com as cidades a exercerem uma crescente atracção sobre os jovens. Ao antigo isolamento, sucedeu a presente desertificação. Os jovens, em massa, desertaram da serra bravia e sem futuro, procurando nos grandes centros urbanos, um outro amanhã.

Terá o associativismo algum futuro?

Vivemos numa época de racionalidade. Procura-se, a todo o transe, racionalizar a máquina administrativa do Estado, as verbas camarárias vão sendo sujeitas à lei do garrote, o Serviço Nacional de Saúde  (SNS)já teve melhores dias, vão-se fechando escolas, quartéis, etc., e etc. Tudo isto, inevitavelmente, vai tendo repercussão nas políticas locais.

Apoio local é muito pouco

Muitas das associações dependem das exíguas verbas que o Poder Local lhes vai dando. Verbas que mais não são, para algumas, do que paliativos a associações mais carentes de extrema-unção do que de remédios, já fora de validade.
Há, pelo menos, 22 associações desportivas, 40 associações recreativas e culturais, 20 associações musicais, 40 instituições e associações de solidariedade social e mais 15, de diversa ordem, sem contar com os oito clubes federados de futebol, de acordo com os dados da Câmara, onde não estão contabilizadas algumas dezenas de outras associações. Muitas destas, dependem, para sobreviver, das parcas verbas que a autarquia lhes dá. Porque apostar nesta morte lenta? Por falta de coragem do poder autárquico e por apego às capelinhas, de alguns das actuais dirigentes que, ciosos das suas tristes sinecuras, não abdicam do seu pequeno poder.
É necessário um substancial reforço de verbas para apoio à vida cultural e desportiva das nossas comunidades. É lá, que se pratica o padre-nosso da nossa identidade. Mas é necessário um outro critério, que passará pela fusão de muitas destas associações e pela redefinição dos seus objectivos. Só assim, haverá futuro para o associativismo. Só assim, Águeda, terá futuro!


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