Clube da Venda Nova: Estou a pensar nessa casa para um hotal de charme
O actual o movimento de aproveitamento do próprio rio e das margens, aí está - à semelhança do que acontece em todas as cidades banhadas por rios. Em Águeda, surgiu um movimento, por impulso do Clube, que tem como objectivo a requalificação da bacia hidrográfica do rio. Mobilizados os meios materiais e o engenho de sábios, reuniram-se as sinergias e estudos apurados: “Antes de mais, temos que limpar o leito do rio e desmatar as margens, que já quase não se vêem”, dizia o Pedalais, em conferência com outros políticos e especialistas, designadamente urbanistas, paisagistas, um jardineiro francês diplomado, poetas como o Brás dos Kiwis, a Emília Amarelo, o Catula e o Fausto da Conservatória. “De seguida... - acrescentou... - vamos aproveitar o que há de bom. Por exemplo, temos um local idílico, cheio de romantismo que tem inspirado muitos poetas… “O Cais das Laranjeiras, não é?”, Interrompeu o Brás dos Kiwis. “Já escrevi mais de 30 poemas sentado naquele muro. E aqui o Catula, também lá recitou o Cântico Negro, de José Régio…”. “Sim, mas há mais - continuou a Excelsa da Corga - por exemplo, o belo edifício camarário do Centro de Canoagem que, desgraçadamente, está abandonado; ou a Fonte do Botaréu e a antiga casa da Junta Nacional dos Vinhos, que um iluminado quis transformar num local de venda de hortaliças…”. “Parece que é de manter essa construção, dava ali um restaurante, uma boite ou uma casa de chá!...”, disse o Jorge Enfermeiro. “Não, eu estou a pensar nessa casa para um hotel de charme, com grandes varandas para o rio, suítes presidenciais e uma marina!”, respondeu a Excelsa, arrebatada. “Uma marina não pode ser, porque o rio não é navegável”, proferiu a Arquitecta Mar e Lenha. “Para isso acontecer, tem que se abrir um canal largo, e com alguma profundidade, pelo menos para barcos de calado médio. Fazia-se um transvaze, como fizeram no Suez e no Panamá ,e que ligue Águeda à Ria de Aveiro… “Isso é bem pensado, mas custa muito dinheiro”, ponderou o Pedalais. “Custa algum.. - voltou a Mar e Lenha - mas, por um lado, o Governo ajuda financeiramente a abrir o rego e o Clube terá o retorno quando começarem a vir turistas árabes, americanos e do Zimbabué, com aqueles grandes iates”. “E o resto do rio, fica seco?”, perguntou o Brás. “Nada disso - respondeu a Mar e Lenha - tapava-se em Requeixo e na zona do Casaínho povoa-se com crocodilos, que até se podem aproveitar mais tarde para fazer sapatos, e lá mais para baixo faziam-se viveiros de salmões e trutas, ou mesmo de rodovalhos e robalos, nem que seja preciso pôr uns sacos de sal na água do rio, para ficar salgada!”. “Então se é assim, está bem!...”, concluiu o Catula. - Nas margens vamos permitir a construção de restaurantes e bares - disse o Pedalais - mas para não haver melindres entre os hoteleiros, vamos pôr os lugares a concurso… - Acho bem, acho bem - disse o Brás, rodando as calças na cintura - se não o Pintaínho ainda se zanga com o Óscar do Ribeirão! E seria uma chatice!...!.
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