Valongo do Vouga: Para roubar tudo serve, obviamente!!!
Após uma prolongada ausência e depois de uma acentuada “insistência” dos amigos de antanho do periódico mais antigo do país, “regresso” com alguns apontamentos que o quotidiano me vai despertando e, posteriormente, me pode inspirar.
Não pretendo criar aqui qualquer secção noticiosa da freguesia, mas, tão só, perante factos surgidos, expor ideias, sugestões, reparos ou outras questões que sejam, ou possam ser, do domínio e interesse públicos. Para isto, e como é sabido, ao transportar para público as opiniões e comentários pessoais, certamente que corremos o risco do contraditório, talvez de alguma maledicência que, a surgirem, o serão porque elas são ou foram expostas.
Os roubos
A que escolhemos para agora prende-se com as transformações que sentimos estar a gerar-se na sociedade actual. E, dentro desta, entre outros, o fenómeno do roubo. O roubo, como sabemos, é a apropriação indevida e ilegal de bens por parte de uma pessoa ou organizações, que pertencem a outra pessoa, ou organizações e instituições. Sem me preocupar, agora, em saber a definição correcta e juridicamente prevista na lei, penso que a ideia não andará longe das convenções sobre a matéria. Nesta freguesia, tal fenómeno vai tomando, de vez em quando, foros bastante acentuados e até preocupantes, onde tudo o que está à mão serve, muitas vezes nem sabemos para quê. Ou melhor, até somos capazes, sem grande esforço, de acertar em cheio na finalidade da prática de tal crime. Podíamos, sem grande esforço de memória, enumerar um rol bem composto de situações do género, desde casos das sucatas (muito apetecíveis, principalmente de certos metais), até à introdução em habitações, estabelecimentos, veículos, etc., roubando o que lhes aparece. Tudo serve. A nós já aconteceu que até aves de certa espécie nos foram roubadas, como é o caso de um casal de patos mudos. Eclipsaram-se sem deixar rasto, coisa que não aconteceu noutra circunstância em que os restos dos animais ficaram metade dentro da cerca e outra metade voou na boca de algum predador bastante faminto. E, ainda no nosso caso, até as plantas são roubadas, pois já não é a primeira vez que a planta muito querida de algumas das suas amantes (senhoras, e não só), e que as há muito bonitas, chamadas orquídeas, desapareceram da varanda onde se encontravam e nem sequer se despediram de quem as tratava com muito esmero e carinho. Sei que esta situação é muito pessoal, mas também sei que a uma pessoa conhecida e residente não muito longe, mais concretamente na freguesia de Macinhata, encostaram uma carrinha e toca de carregar nela todas as orquídeas que a senhora possuía no local apropriado da sua habitação.
Prevaricadores impunes
É neste ambiente que vivemos, mas que provoca revolta e, em certos casos, reacções inesperadas e desagradáveis, por causa de uma orquídea, como agora. E se forem utilizadas represálias sobre os transgressores, em flagrante ou identificados, o prevaricador fica impune e quem se defendeu, ou pensou que fez a “sua justiça”, é que fica com a responsabilidade jurídica e legal dos actos que cometeu, como é evidente, mas com origem nas ilicitudes de outros. Ou seja, o lesado é capaz de sair mais prejudicado que o transgressor, como tem sucedido nalguns casos. n JOSÉ M. FERREIRA
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