Asfixia do comércio tradicional
Recentes notícias informam que, em 2007, encerraram cerca de 50.000 micro, pequenas e médias empresas! As falências atingiram quase 20.000 empresas e o comércio e serviços foram os sectores mais atingidos. O comércio dito tradicional está a atravessar momentos de autêntica agonia e desespero. Eram os empresários individuais que, com ideias próprias e orgulhosos dos seus projectos, mantinham as cidades iluminadas, com vida própria, que pagavam os seus impostos e em nada sobrecarregavam o Estado. Era esta classe de profissionais que, com a dignidade que lhes assiste, tinha sempre uma palavrinha para com os seus clientes e, ao mesmo tempo um gesto de gratidão. São os profissionais que dão sempre explicações sobre os seus produtos, das vantagens e desvantagens, de forma a deixar o cliente mais esclarecido nas suas compras. Enfim, uma classe que sempre pugnou por um atendimento personalizado e esclarecedor, servindo o cliente a tempo e da melhor maneira possível e sempre com o conhecimento do melhor produto. E o cliente só tem a ganhar com isso! Chegaram, entretanto, as grandes superfícies os produtos massificados e liberalização de horários, espaços confortáveis, parques de estacionamento, promoções constantes, obrigando os fornecedores a prazos de pagamentos dilatados, variedade e diversidade de produtos. Uma nova oferta de produtos. E de que vale o pequeno comércio tentar uma maior flexibilização de horários, se as pessoas se fixarem de uma forma irreversível, nestes grandes, espaços, passando lá mesmo os fins de semana, com a família! Os clientes bombardeados com as promoções, que nem sempre são o melhor produto, e com publicidade agressiva, chegam a esquecer-se do seu orçamento familiar e acabam de comprar o que podem e não podem, criando, assim, tantas vezes, dificuldades para o resto do mês! E então o cartão de crédito e a tentação. E quantas vezes é utilizado abusivamente, em relação ao orçamento?! E se levam crianças, acabam por encher o carrinho, tantas vezes com coisas supérfluas! A atentação e sedução dos grandes espaços levam as pessoas a viverem o resto do mês em grandes dificuldades. E, para mal do comércio tradicional, que tem dificuldades em modernizar- -se e também porque tantos comerciantes entendem que já não vale a pena e que será inútil o seu esforço, estão a surgir ainda mais grandes superfícies, para a liquidação total do comércio. E quais são as consequências? É a criação de um novo pelotão de desempregados, e um ainda sem qualquer protecção social. E sentimentalmente é muito violento, para quem, um dia, teve um sonho, um projecto de vida, e que se vê agora numa fase, tantas vezes avançada de vida, desmoronar-se tudo. Para estes profissionais dedicados, ver tudo ir por água a baixo, trancar as, portas e ir para casa, é verdadeiramente violento! Mas é assim a vida, os políticos nunca fizeram nada por esta gente, apenas durante a vida lhes sacaram os impostos, foi sempre uma classe abandonada e desprotegida. Nunca foram capazes de compreender os seus queixumes e não são capazes de atenuar o seu sofrimento. E agora nem desemprego têm.
6628 vezes lido
|