As margens de venda dos combustíveis
A propósito da polémica gerada com o aumento quase diário dos combustíveis, confesso o meu espanto quando leio notícias que apregoam as larguíssimas dezenas de milhões de euros que a GALP teve de lucro no primeiro trimestre deste ano e que nos vem dizer, pela voz autorizada do seu presidente, F. Oliveira, que os combustíveis só poderão baixar se o governo reduzir o ISP e o IVA, não falando ele das margens com que trabalham e que produzem aqueles fabulosos lucros. Como é, não sei, mas aqui ao lado, na vizinha Espanha, os impostos são bem mais reduzidos e os combustíveis ainda são substancialmente mais baratos. Há-de haver uma explicação para este comportamento por parte da Galp. Do que sabemos é que, na sua administração, pontificam ex-ministros socialistas que sairam do governo não há muito tempo. Será por isso que os actuais governantes não impõem um arrepiar de caminho aos que os antecederam, como sejam, Nabo e Gomes? Será porque nunca se sabe qual será o dia de amanhã?... A empresa está constantenmente a efectuar compras milionárias no estrangeiro, verbas que naturalmente abatem aos lucros. Caso assim não fosse, então os tais lucros do 1º trimestre não seriam de dezenas de milhões mas, upa! upa!, de centenas de milhões. Entretanto, os verdadeiros agentes económicos - mais propriamente, as Pequenas, Médias e Micro empresas - vão definhando e extinguindo-se, e as Famílias vão apertando o cinto. E os habitantes das zonas raianas, para se salvarem, mudam-se para Espanha. O que é triste. Ao acabar de escrever esta prosa, interrogo-me: 1 - porque razão a Direcção Geral de Energia e a Autoridade da Concorrência não explicam ao País como são construídos os preços dos combustíveis e se existe ou não cartel/exploração como os portugueses suspeitam? 2 - como é que as bombas dos Intermarché, Jumbo, Leclerc e outras, como a Cepsa, conseguem vender combustíveis mais baratos do que a Galp que é quem, afinal, lhos fornece? Se estas empresas conseguem reduzir as suas margens de lucro, por mais esforços que eu faça, não consigo entender a razão por que a Galp não o faz também. 3 - a Autoridade da Concorrência mantém um silêncio ensurdecedor sobre tudo isto… Porquê? E até quando?
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