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Sociedade: Ex-professora de Inglês faz limpezas em Águeda

por Redacção Soberania em Maio 29,2008

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Nadiya Umanska nasceu em Lviv, na Ucrânia, há 37 anos, e chegou a Portugal em Agosto de 2002, há dois depois do marido, Serhiy, licenciado em engenharia e electricista de alta tensão. Veio com os filhos e está satisfeita com o país que encontrou. “Aqui, temos a vida organizada”, disse a SP.

“A adaptação tem-se processado bem, apesar de, no primeiro meio ano, ter estado sem trabalho”, referiu Nadiya Umanska, no início da conversa com SP. “Durante os primeiros seis meses, aproveitei para ajudar os meus filhos na aprendizagem da geografia e da História de Portugal”, acrescentou.
Nadiya Umanska era professora de Língua Inglesa no ensino primário da Ucrânia, onde ganhava 42 dólares mensais. Em Portugal, trabalha como empregada de limpeza, mas não se sente inferiorizada por isso. Os filhos, Volodymyr (16 anos) e Nataliya (17), frequentam o 10º. e 11º. anos da Escola Secundária Marques Castilho. Com boas notas.
“A minha família foi bem acolhida neste concelho e aqui temos a vida mais organizada e mais certa... Já comprámos casa e carro!”, revelou, com notório contentamento, sublinhando, contudo, que “tenho saudades de casa e da Ucrânia, mas depois do falecimento da minha mãe, em Fevereiro de 2005, essa nostalgia diluiu-se um pouco”.

A MORTE DA MÃE

Nadiya Umanska já foi três vezes à sua terra natal. Uma delas para participar nas cerimónias fúnebres da sua mãe. “Fui de carro, com o meu marido e a minha irmã, que está a residir na Guarda, e demorámos dois dias e meio, só em viagem!”, revelou a SP.
“Se pretendo regressar à Ucrânia? Nunca digo nunca! Há muitas pessoas de leste que já compram casa e carro em Portugal, têm os filhos a estudar nas universidades portuguesas, mas, no coração de cada um, há sempre aquela nostalgia e a esperança de um dia voltarem aos seus países...”.
“Mas aqui sinto-me como em casa! Águeda é uma cidade muito sossegada e muito parecida com Lviv”, revelou, numa rápida comparação com o local onde nasceu. “Às vezes vou a Aveiro, mas rapidamente regresso a Águeda, porque não gosto da agitação dos grandes centros urbanos”, confidenciou Nadiya Umanska.

APOIO DA AUTARQUIA

Para a adaptação da comunidade de leste a Portugal, tem sido fundamental “o grande apoio social prestado pela Câmara Municipal de Águeda” e também “o curso de Língua Portuguesa para estrangeiros, que está a ser ministrado há seis anos e que nos ajuda imenso na nossa integração”, admitiu.
Nadiya Umanska, a exemplo de Braima Sambaro (Guiné-Bissau), considerou que “a lei de imigração portuguesa é mais favorável, em comparação com Espanha e Itália” e admitiu que “muitos ucranianos legalizaram a sua situação em Portugal, e, com isso, conseguiram um emprego melhor”.
A vida dos imigrantes de leste em Águeda parece correr a contento, mas muitos sonham em regressar aos seus países. Para salguardar essa possibilidade, funciona, há cinco anos, a Escola da Língua Materna, que possibilita ensinar às crianças de descendência ucraniana, as tradições e a cultura daquele país.

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