O PSD BATE À PORTA DA CÂMARA
Eleita há meia dúzia de meses, a nova Comissão Política do PSD de Águeda tem tido no seu presidente, Parada Figueira, uma actuação “sui generis”, com intervenções públicas contraditórias e que reflectem uma pressa exagerada no regresso à liderança da Câmara, onde o PSD esteve quase 30 anos. Na primeira conversa com a imprensa, após a eleição da sua Comissão Política, Parada Figueira defendia a envolvência da sociedade civil na análise dos problemas do concelho e sua solução, avançando o 1º trimestre de 2009 como o tempo próprio da apresentação de candidatos às próximas eleições autárquicas. Há semanas, depois disso e em entrevista pública, afirmava que o PSD já tinha candidato e que este assunto estava há muito resolvido. O recente jantar de homenagem ao ex-presidente da Junta de Barrô, que juntou autarcas do PSD das 20 freguesias de Águeda, teve, como se sabe, a presença do anterior presidente da Câmara Castro Azevedo, recentemente absolvido em Tribunal das graves irregularidades de que fora acusado. Nesse encontro, conforme notícia Soberania do Povo, foi "formalmente desafiado" a ser, de novo, o candidato do PSD à Câmara nas próximas eleições. A ser assim, Comissão Política de Águeda do PSD inverteu, desse modo, a sua estratégia para a Câmara Municipal: deu prioridade ao candidato, secundarizando a discussão dos problemas do concelho e a envolvência da sociedade civil. Numa altura em que o currículum dos partidos e a prática política de muitos dos seus dirigentes se tem afastado dos grandes problemas da sociedade, seria necessário credibilizar a politica e lançar as bases de um outro debate sobre Águeda, chamando muita gente a dar a sua contribuição na definição de metas, de projectos, de iniciativas. Da escola ao hospital, da fábrica aos campos agrícolas, da serra à planície do concelho, era preciso ouvir, tomar notas, perspectivar horizontes, criar uma equipa. Não sendo assim, os anos que se avizinham e as próximas eleições autárquicas poderão ser “mais do mesmo”: com a distribuição dos lugares elegíveis e outros “para encher”, as policópias de programas e slogans partidários já sem validade, velhas acusações de processos e vingançazinhas pessoais a virem ao de cima. E com este afunilamento da política cada vez mais se encurta a esperança na construção de um Poder Local que devia ter no munícipe e cidadão a sua principal razão de ser. Mas muita água ainda vai correr debaixo da ponte do Ribeirinho, não é Beatriz? - JNS
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