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SERÁ A SÉRIO OU SÓ MAIS UMA PROMESSA?

por António Silva em Abril 02,2008

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No último sábado, uma comitiva do governo, chefiada pelo Primeiro-            -Ministro, foi a Mortágua anunciar
umas quantas obras para esta zona
centro/norte do País.
Havia muita azáfama, mas ficámos sem saber se era provocada pelos remorsos dos governantes, pelo abandono a que nas últimas décadas o nosso concelho tem sido votado, se para responder a uma necessidade de muitas décadas, ou se para distrair Águeda, uma vez mais, com o rebuçado que resolve as impertinências dos meninos descontentes pelas nossas distracções às suas necessidades.
A verdade é que Águeda, que não tem demonstrado ser exigente nem rabugenta, nem tão-pouco impertinente, ouviu em Mortágua, entre a pompa e a circunstância do momento, o anúncio da abertura do concurso, com data limite até ao fim do ano, para que se iniciem os trabalhos de ligação
Águeda/Aveiro em auto-estrada.
Apesar do nosso cepticismo, todos sabem porquê, vamos “torcer” para que, desta vez, ainda que com atraso de décadas, se concretize esta obra, satisfazendo uma longínqua pretensão de muito boa gente.
Assim se concretizarão os sonhos de uns e as promessas de outros que, de tão velhinhas, têm já barbas brancas!
Vamos acreditar que, desta vez, não seja só mais uma promessa “eleiçoeira”, como de costume, para conquistar os nossos votos.
Votos, fazemos nós para que as obras comecem rápido e, de preferência, antes das próximas eleições. Pois, normalmente, o espumante das vitórias eleitorais faz os políticos esquecerem tudo o que prometem e Águeda tem demasiadas e amargas experiências nessa matéria.
Estaremos nós, todos os aguedenses e, principalmente, os autarcas, isentos de culpas nesse capítulo?
Sinceramente, pensamos que não, porque o nosso comportamento se assemelha ao dos filhos dos nobres do século XIX que, mesmo falidos, continuaram a sonhar e a agir como se ainda fossem credores das honrarias herdadas dos seus antepassados, numa atitude estupidamente sebastianista, sem perceberem que o mundo, no seu giro diário tinha, há muito, alterado as regras, obrigando cada um a conquistar o seu próprio espaço e relegando para segundo plano a cor do sangue que lhes corria nas veias.
Águeda não aprendeu a lição da lebre e da tartaruga e, ao distrair-se, com os pergaminhos industriais conquistados nos três primeiros quartéis do século passado, deixou-se ultrapassar pela dinâmica dos concelhos vizinhos que, sem tradição industrial, agiram depressa e bem. E, enquanto Águeda dorme a soneca, à sombra dos louros já velhos e desfolhados, eles, até há pouco concelhos rurais e agrícolas, conquistaram espaço industrial que nós todos os dias vamos perdendo porque também perdemos a chave que resolve todos os problemas: influência!
Águeda perdeu muitas das suas referências e, quase sem dar por isso, entrou em letargia industrial: as que não morreram, vegetam! Claro que há excepções mas, se não houver, uma mudança radical nas mentalidades, porventura, a mais difícil das mudanças, em cada dia que passa, será pior e Águeda estará mais longe do pelotão da frente. É por isso que aplaudimos, vivamente, todas as iniciativas que façam juz ao estatuto que Águeda já teve, mas que, infelizmente, todos os dias, vai perdendo.
Se somos pessimistas? Chamem-nos o que quiserem!
Porém, tenhamos a certeza de que todos os sonhos lindos terão a enorme desilusão do acordar!
a.a.silva 2007-04-02
     


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