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PROGRESSO E FÉ NÃO CIENTÍFICAS

por ONOFRE VARELA em Maro 27,2008

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Na política, até é costume rotular de "progressistas" os partidários da Esquerda (pretensamente abertos a mudanças sociais), e de "reaccionários" (isto é: anti-progressistas, que reagem negativamente às reformas) os partidários da Direita.
Mas… será realmente assim?
Aceitando o facto de haver alguma verdade em tais rótulos… convenhamos que a verdade não tem apenas um rosto.  Quando o objecto em discussão não é tão linear como o acto de reconhecer a diferença entre sumo de laranja e vinho, ou almejar a soma de 2+2 — que são premissas de um único resultado verdadeiro —, pode haver tantas verdades sobre a mesma questão quantas as sensibilidades a analisarem-na.
O progresso é uma meta que se pretende alcançar quer pela via da Direita, quer pela via da Esquerda, mas não é um destino em que se possa crer como os religiosos crêem na existência de Deus. Por
exemplo: para um católico ou para um muçulmano, é verdadeira a premissa de que há uma vida para além da morte; o que, para um ateu, não passa de disparate baseado numa crença primitiva e sem suporte natural. Na impossibilidade de se comprovar com qual deles está a verdade, resta-nos a aferição das propostas usando o senso comum que nos diz que a segunda premissa tem, à luz da História Natural, mais hipóteses de ser verdadeira do que a primeira. Mas, neste exemplo, a questão da verdade não pode ser entendida assim, tão linearmente, porque as bitolas usadas para se obter uma conclusão não são da mesma natureza. As realidades científicas não se guardam na mesma gaveta das realidades da fé. Aquele que não tem qualquer dúvida de que não há vida para além da morte, não deve negar a fé do outro, que tendo opinião contrária à sua, não deixa de ser, na sua categoria, também uma verdade. Uma verdade de fé, e não uma verdade científica.
Acontece que o futuro só pode ser construido com verdades científicas.
Por muita fé que eu tenha em que vou ouvir o bater das horas no despertador da mesinha de cabeceira, a minha fé sairá gorada se eu não tiver o cuidado de dar corda ao relógio. Quero eu dizer com isto que quando a fé no progresso se fica pela crença, sem a acção desencadeadora do progresso pretendido, o progresso não acontece, por muita fé que se tenha de que ele vai acontecer....
Para o filósofo espanhol Fernando Savater, o propalado progresso será, efectivamente, progresso "quando favoreça um modelo de organização social onde o maior número de pessoas alcancem mais efectivas cotas de liberdade: quer dizer, são progressistas aqueles que combatem os mecanismos escravizadores da miséria, a ignorância e o autoritarismo"
(El País. 4/8/2007), o que são premissas nitidamente envoltas numa filosofia de Esquerda. Porém, continua Fernando Savater, "hoje uma sociedade é tão mais progressista quanto amplia e consolida as capacidades da cidadania"… e esta conclusão é tão pertença da Esquerda como da Direita.
É comum misturar-se progresso com ficção.
Daí a "crença" que alguns têm num futuro de progresso ficcionado, cheio de conquistas sociais e com mais lazer do que labor. Mas a verdade é que o progresso que os nossos netos encontrarão é, para nós, uma incógnita, embora esteja a ser construído pelas nossas mãos, neste preciso momento e em todas as latitudes, com acções políticas, sociais, religiosas, económicas e
científicas.
O resultado deste trabalho, permanentemente em fase de construção, só poderá ser avaliado como progresso pelos vindouros de cada geração.
Presentemente, e atendendo às premissas do hipotético progresso e ao peso histórico de um passado que, antes de o ser, também foi futuro idealizado, nós podemos dizer que mercê do conhecimento adquirido pela própria vivência do Homem, desde que tem consciência de si, o progresso só pode ser positivo porque os erros cometidos no passado serão avaliados no presente e, consequentemente, evitados no futuro porque filtrados na peneira da experiência.
Mas isto… já é fé !…

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