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OS PARASITAS

por CARLOS ALBANO ABRANTES em Maro 26,2008

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Há dias o meu cão andava triste, macambúzio. Não corria, não ladrava, não abanava o rabo, não correspondia às minhas festas, comia pouco. Como já é velhote, pensei que estava doente, que precisava de assistência médica. No fim da semana, com mais tempo, resolvi animá-lo, brincar com ele, perceber o que se passava. E descobri. O meu cão tinha uma enorme carraça no pescoço!
Retirado o parasita, aplicado Frontline, o bicho parecia outro. Brincava como um cachorrinho, comia como um adolescente, corria como um galgo. Fiquei espantado com tão rápida recuperação. E fiquei preocupado com o poder dos parasitas.
Independentemente da sua forma ou tamanho os parasitas são seres repelentes. Dissimuladamente colam-se às vítimas, sugam-nas, engordam, incham. Paralelamente, os parasitados enfraquecem, perdem vigor, definham. E, quanto mais fracos vão ficando, mais difícil se torna libertar-se da praga que os persegue.
Na sociedade actual deparamo-nos com os mais diversos exemplos de parasitismo. Dos partidos aos sindicatos, das câmaras aos ministérios, das empresas às seitas religiosas encontramos sempre alguém que se adesiva. Que se agarra e não desgruda.
Imagino o suplício, o sofrimento, dos líderes partidários. Sempre com alguém pendurado no pescoço à procura dum lugarzito para deputado, para presidente da Câmara, ou para vereador. Ou mesmo para chefe de gabinete, motorista, ou porteiro.
Imagino a dor, o desgosto, dum líder sindical quando, em vez de trabalhadores, se vê cercado por milícias partidárias. Sempre as mesmas, com os mesmos punhos erguidos e as mesmas palavras de ordem.
Imagino o desconforto, o mal-estar, de um presidente de câmara ou de um ministro quando recebem no recato dos seus gabinetes aqueles que contribuíram para as suas campanhas. E que se apressam a cobrar o serviço prestado. É a estrada, a urbanização, a escola, o hospital, a casita, enfim… o “temos de ser uns para os outros”
Imagino a azia, o engulho, que provoca num empresário a obrigação de ter ao seu serviço um mau empregado, que faz o que lhe apetece, quando lhe apetece. Que apenas tem direitos, esquecendo os deveres.
Imagino o stress, o desassossego, dum místico, dum franciscano, quando vê tenebrosas seitas de bem falantes apoderarem-se das magras economias dos seus ingénuos crentes.
Qualquer destes parasitas é mais nocivo do que as carraças do meu cão. Estas, eu consigo exterminá-las, é questão de usar o remédio adequado.
Os outros parasitas são mais difíceis de liquidar. Porque, quando pressentem o perigo, apressam-se a mudar de hospedeiro. Mudam para onde lhes for mais conveniente. Mudam de partido, mudam de amigos, mudam de religião, mudam de convicções, mudam o que for preciso para sobreviver.
Conheço alguns. Sugam o que podem. Mas do que gostam mesmo é de sugar poder. Poder e dinheiro.
carlos-a-abrantes@clix.pt


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