CLUBE DA VENDA NOVA: FOI CRIADA SÓ PARA CANTAR ÀS ALMAS E AGORA TENS FINS POLÍTICOS
Reuniram em concílio os irmãos da Confraria do Leitão à Bairrada. Chegaram embrulhados nas vestes de gala, escapulários a brilhar, solenes, cabeça e peito erguidos e sentaram-se, respeitando a hierarquia. Considerando-se próceres na defesa daquela iguaria, prometem lutar por ela contra tudo. «Como únicos defensores do leitão, nós, os ilustres desta região, temos que lutar pela sua certificação», proclamou o Glutério Marques. «Tem razão», disse o Eloi Barba Negra, a coçar a barriga dentro do Gabão. «Cada leitão deve ter um documento comprovativo da identidade, com fotografia, para se saber se é bísaro, turco ou serrano e a fotografia do forno onde foi assado e dos condimentos, pimenta, alho, etc.». «Mas olhe que a Confraria das Almas anda a dizer o mesmo, dizem que só se pode comer leitão com batata cozida…», continuou o Gil Abredepois. «Mas essa Confraria não tem nada a ver com o leitão», interrompeu o Duque da Bairrada. E acrescentou: «Foi criada só para cantar às almas e agora tem fins políticos, o recrutamento é selectivo». Informado destas declarações, o gabinete de crise da Confraria das Almas reuniu de emergência e o mordomo-mor, Joaquim da Palhota, disse: «As Confrarias não podem ter objectivos políticos, era o que faltava! Ora, como temos ambições de poder, proponho que mudemos o nome para “Confradaria” ou então, para cumprirmos os estatutos, temos que abandonar esses desígnios». O Confrade Serafim Juiz, esse, disse solenemente: «Na verdade, eu poderei assumir a pasta da Justiça e o speaker Acácio dos Parafusos vai anunciar os outros!». O Acácio dos Parafusos levantou-se e anunciou: «Neste momento ainda não tenha nada a dizer, porque não há confrades para todas as pastas». O Joaquim das Baterias, que até ali estivera calado, pediu a palavra e disse: «Ó companheiros: Eu acho que nós devemos ir na procissão das Almas e defender o nosso leitão, nem que se crie uma Secretaria de Estado…». «Bem - continuou o Correia do Trinta - vamos mandar um ofício aos da Bairrada a dizer que se acautelem porque se atingirmos o poder ainda são dissolvidos!».
*** * *** O Brás dos Kiwis descrevia, entusiasmado, com os olhos deslumbrados, uma viagem que fez ao Brasil. Desenhava praias e prédios com as mãos, como sombras chinesas a descrever imagens oníricas. «Fui a Fortaleza, é tudo fantástico, mas não há segurança nenhuma. Os únicos que têm segurança são os burros, andam à solta e ninguém os pode incomodar». E continuou: «As pessoas, para terem mais segurança, vivem em prédios de mais de oitenta metros de altura, uns em cima dos outros, embora haja grandes extensões de terra abandonada! E sabem porquê?». Fez uma pausa, puxou as calças para cima, olhou os circunstantes e continuou: «Nos primeiros andares, ficam polícias e seguranças armados, não entra lá ninguém!...». «Mas eles não podem estar sempre fechados em casa…», pensou o Natas da Sapataria, em voz alta. «Pois não. Quando saem disfarçam-se de burros e ninguém lhes toca», respondeu o Braz.. «Assim está bem, bem pensado!...». disse o Zé do Candeeiro. E marcou passagem para o Brasil!
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