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ENTREVISTA: O CUMPRIMENTO DO DEVER É O MELHOR ALIMENTO DA ALMA
O benemérito aguedense António Soares de Almeida Roque, referiu, em longa entrevista a SP, que “o cumprimento do dever é o melhor alimento da alma” e que o seu coração “adora unir as pessoas e as terras”.
Almeida Roque, ainda assim, admitiu que “não tenho tempo nem dinheiro para fazer tudo o que gostava” e advertiu que “a água não passa duas vezes sob a mesma ponte”. Todavia, sublinhou que “continuarei, como puder a lutar pelos meus objectivos”. Sobre o movimento político, Almeida Roque considera que “os homens e os povos deveriam empenhar-se seriamente em aperfeiçoar uma nova fórmula política e um novo modelo económico, mais de acordo com a realidade”, mas teme que a “marcha actual” seja da direcção do “abismo!”. SOBERANIA DO POVO (SP): Depois de tantos anos de labor intenso, criando milhares de postos de trabalho e distribuindo muitos dos proveitos desse labor por vários sectores da sociedade, como analisa tão vasta intervenção social e económica? ALMEIDA ROQUE (AR): Divido essa intervenção em três vertentes: física, económica e social. Cheguei à conclusão, inequívoca, de que esse intenso labor foi benéfico, pois, apesar de muitos exageros e com os 80 há muito ultrapassados, tenho conseguido manter (não obstante de duas melindrosas operações cirúrgicas) um estado físico que muitas vezes me parece ter parado 50 anos. SP: Criou, entretanto, milhares de postos de trabalho... AR: Criar postos de trabalho é, naturalmente, resultado lógico de qualquer projecto comercial ou industrial. O mérito é o risco que decorre da decisão de realizar um investimento que, no tempo actual, não tem qualquer semelhança com as dificuldades que eu tive de vencer, sobretudo em relação ao capital indispensável para o objectivo a realizar, porque o número de bancos era diminuto e a sua actividade não ia além das cidades (nem todas) e não tinham qualquer tradição ou prática de financiamento com esse objectivo. SP: Que avaliação faz aos projectos empresariais que colocou em prática? AR: Felizmente o êxito dos meus projectos foi total e deram-me a grande satisfação de poder contactar com muitos jovens (às vezes com 10 anos), que com tanto prazer ajudei a crescer e, sobretudo, a educar, e que me deram a maior riqueza da minha vida, que é, sem dúvida, o conhecimento indispensável para analisar a alma humana. SP: Sente-se recompensado? AR: Receber tantos jovens, alguns com 10/12 anos (a maior parte sem educação ou objectivo de futuro) e entregar à sociedade homens com apego ao trabalho e normas de vida de quem, normalmente, recebi respeito e a quem dediquei afecto, tem sido dos bálsamos que vêm alimentando a vida de alguém que sente alegria em se considerar simultaneamente criança e homem e ajudam à consolação (por mercê de Deus) de alimentar aquilo que parece ser uma perene juventude! SP: Economicamente, deduzimos que valeu a pena... AR: Economicamente, posso considerar que fui também compensado, mesmo considerando tão intenso e difícil labor, em condições de trabalho mil vezes inferiores às de hoje, pois estávamos praticamente no começo da nossa era industrial e não havia máquinas nem tecnologia, ficando o êxito quase sempre dependente da maior ou menor sagacidade, poder de observação e, quantas vezes, até de um destemor a roçar a aventura.
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