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A NOSSA IDENTIDADE HIPOTECADA A BRUXELAS

por António Silva em Dezembro 05,2007

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De facto, desde os primórdios da história que os povos se constituíram comunidades, baseados em três princípios essenciais: Língua, religião, usos e costumes!
1º - A linguagem era a que bastasse para o entendimento entre o grupo e não passava, muitas vezes, de uma vocalização de sons estranhos e gestos sequenciais, sem palavras ordenadas como hoje as conhecemos, mas o suficiente para que houvesse entendimento entre o grupo.
2º - A religião, que agregava a comunidade teve o seu início em rituais e práticas obscuras, às vezes, com que o mago fazia acreditar os seus pacientes ter solução para todos os males. E, por métodos estranhos e anormais, às vezes fazia com que a comunidade, baseada na família, partilhasse e usufruísse as mesmas emoções, embora sem provas de que os males eram debelados.
3º - Os usos e costumes passavam de pais para filhos de uma forma lenta, mas sólida e ajustavam-se à evolução dos tempos, sem guerras das estrelas, nem choques tecnológicos. De repente e quase à velocidade da luz, a nossa Língua Pátria e Mãe, como nos ensinaram na aprendizagem das primeiras letras, é invadida por expressões que só ouvíamos nas viagens pelo interior de África, e que faziam parte dos dialectos nativos. Hoje, são o dia-a-dia, principalmente entre as camadas jovens que acham chique e muita graça, dizer bué, em vez de muito, para lá de outras gracinhas a que eu não acho graça nenhuma e, por respeito às minhas raízes, rejeito conversar com alguém nessa dialéctica a menos que o governo, à semelhança de tantas outras prepotências, faça sair um decreto no sentido de me obrigar.
Numa incompreensível agressão à essência da nossa Língua, cedemos em toda a linha nos acordos com os palop’s, e hoje já nem sabemos se um fato é um indumento ou um acontecimento.   
Na religião, não estamos melhor com a nossa indiferença, aqui e ali, salpicada por manifestações a que chamam fé, mas que de fé tem muito pouco e de religião ainda menos, às vezes nada (culpa de quem…?).
Bom, essas manifestações religiosas são uma oportunidade para vestir o fato domingueiro, receber os amigos, beber uns copos, encher a pança, e a religiosidade fica-se por aí, enquanto proliferam seitas e mais seitas a ocupar o espaço que os católicos vão deixando vago!
Quanto a usos e costumes o momento é ainda mais dramático com as mutações que todos os dias acontecem, umas naturais e compreensíveis outras autoritárias e aberrantes e, neste andar, os nossos netos não terão mais oportunidade de conhecer o paladar de um bacalhau assado na brasa com batatas a murro e demolhado ao gosto, nem o direito a saborear umas deliciosas sardinhas salgadas com grelos porque Bruxelas, com o beneplácito dos lacaios espalhados pela Europa, é quem dita os nossos gostos.
Assim, esqueçamos um sarrabulho à portuguesa, definitivamente, erradicado da nossa dieta e substituído por uma qualquer miscelânea do fast-food, impregnada de gorduras e outros ingredientes que nunca saberemos o que são.
Esqueçamos também as tripas à moda do Porto que serão, também elas, substituídas por uma qualquer enlatada, ao gosto, quem sabe, se do Báltico, dos Pirinéus ou do Mar Negro.  
Das ginginhas e das iscas da mariquinhas, contentemo-nos com a saudade porque, apesar de terem sido fonte de inspiração de músicos e poetas foram, também elas, vítimas do lápis azul de Bruxelas.
E o chouriço caseiro, defumado e com aquele gostinho particular de cada cozinheira? E a feijoada à transmontana, ou a mão de vaca com grão tão ao gosto dos portugueses? E o galo caseiro com arroz de molho pardo? E os rojões à moda do Minho, que foram um ícone regional e fizeram a delícia de tantos portugueses?
Bom, neste andar, se um dia houver por aí um indiano a ditar as nossas leis, a carne de vaca será banida do cardápio e se for um muçulmano, então será a carne de porco, que por decreto será erradicada da nossa cozinha. Isto, se eles respeitarem tanto, os nossos usos e costumes, quanto o fazem os todo-poderosos a quem estamos sujeitos!  
Cuidados com a saúde e severidade na fiscalização higiénica, sim! Mas o que está na forja são medidas ortodoxas e radicais, que vão retirando aos portugueses a sua identidade. Identidade que o Governo Português tem obrigação de acautelar, mas que prefere pôr-se de cócoras perante a prepotência dos seus pares que defender as nossa raízes.
 Sem usos e costumes próprios, o povo não tem identidade e isso pode ser o primeiro passo para olharmos para quem governa não como governante, mas com um dono!
 A sanidade da população é um bem indiscu-tível a preservar. Mas nada tem a ver com o que nos está a ser imposto e que não é só a perda de identidade, é um pedaço de nós próprios, a começar pela nossa liberdade.
Senão, vejamos o que, dentro de dias, tem rótulo de proibido:
- Jogar às cartas nos cafés, proibido. Servir numa esplanada, café, água, refrigerantes ou cerveja em copos de vidro, proibido. Só de plástico. Vender nas praias e romarias, bolas de Berlim, pastéis de nata, azeitonas, tremoços, cavacas, queijos, compotas, doces, pão e enchidos, proibido. Só industrializados e embalados.
- Num restaurante, mesmo na província, usar legumes da horta, coelhos, galinhas ou ovos da sua capoeira, proibido. Servir cerejas, morangos, pêras, maçãs ou laranjas, alfaces, tomates ou feijão verde da sua lavra, proibido. Servir bolos, rissóis, croquetes e tudo o mais que for caseiro, proibido. Servir pão congelado sem ter arca congeladora especial com registos da temperatura três vezes ao dia e forno de descongelação próprio, proibido. Na cozinha, tem que haver uma faca de cada cor para cada género não podendo cortar o alho com faca de cortar a cebola e não poder haver cruzamento de géneros nem de circuito. É caso para dizer:- Os deuses estão a ficar loucos!
n  a.a.silva


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