Portugal não é a Suécia
n O Secretário de Estado da Energia pediu a demissão do cargo. Primeiro pensamento: até que enfim que alguém bate o pé a um monopólio cujos lucros “nem deviam” ser publicitados em favor do apaziguamento das nossas almas, das nossas economias domésticas e aconchegos impossíveis. Já tinha acusado o monopólio de excessos vários. Em face de orelhas moucas bateu com a porta. Desta massa são feitos os valentes, mas deve ter havido um erro de casting na demissão… E não estou a falar do “Álvaro”. Quem deve estar contente são os parceiros chineses a quem as contas sairiam furadas se os consumidores de energia eléctrica ficassem mais aliviados. É como de costume: enquanto uns penam os outros folgam… n Em tempos mais abonados mas pouco previdentes, os Bancos a Banca, as políticas governamentais, empurraram os consumidores para vários endividamentos. Foi comoacenar com uma cenoura a um gerico. Os Bancos resolviam, os Bancos abonavam, os Bancos pagavam, quiçá os Bancos ofereciam. Passámos a viver que nem suecos, com a vantagem de um clima que tomavam eles. Subitamente a torneira fechou. Os “almoços” não eram grátis… E nós não éramos suecos. Pedimos um socorro tardio e estamos a pagá-lo com língua de palmo. Muito bem que a Defesa do Consumidor esteja a pressionar as “torneiras da Banca a reabrirem, mesmo que pouco, aos que deixaram a morrer à sede. Pelo menos para que os débitos-cenoura, possam ir sendo satisfeitos com a razoabilidade a que foram incentivados. É uma questão de boa-fé! Escreveu numa das suas crónicas o jornalista Pedro Norton “que é a esperança que dá sentido aos nossos sacríficios”. Dela estamos a precisar como do sol que nasce todas as manhãs. Conservo-a, mas, por favor, expliquem-no-la bem! Já nem falo do “fado dos milhões gastos a mais” que vai sendo gemido sempre que contas derrapadas aparecem quando se mexe em facturas milionárias da governação anterior. Refiro-me ao que, de momento, para remediá-las ou para ultrapassá-las, é preciso que seja feito para que nos mantenhamos com a cabeça fora de água! A dureza das medidas que a CRISE impõe não ajudam á chamada execução orçamental, é verdade. Verdade também, me parece, é que greves gerais também não ajudam nada, se não pelo contrário. n LUISA MELLO - 24-3-12
508 vezes lido
|