País solidário
Ia estacionar numa movimentada rua do Porto. Um jovem, muito bem apresentado, parecia ir para o seu carro. Parei para que passasse e ele, com um gesto, fez sinal para que eu estacionasse primeiro. Assim fiz e agradeci. “Uma moedinha se faz favor!” Só aí me apercebi que era um arrumador! “Parabéns pelo seu impecável aspeto! Pobre, não significa maltrapilho, sujo e fedorento!” Sapatos impecáveis, calças, casaco, camisa, camisola, cabelo aparado, bem cheiroso e limpo. A roupa tinha um toque de qualidade, na combinação de cores e tecidos. Um cidadão com uma presença adequada para praticamente qualquer ambiente! A resposta do jovem deixou-me ainda mais agradado: “Não faltam instituições que nos dão roupa e nova! E tomo banho três vezes por semana nos balneários públicos! Também temos vários locais que nos dão boa alimentação!” Deve dizer-nos muito esta forma convincente e satisfeita como contava as soluções que tinha para ter uma vida saudável, com sentida tranquilidade e confiança nas instituições de solidariedade. O Estado, a determinada altura da revolução dos cravos, chamou a si grande parte das actividades públicas e privadas, desde hospitais a transportes. Ainda bem que não nacionalizou a Solidariedade. Estes milhares de instituições privadas têm sido o garante da assistência a milhões de portugueses, desde crianças a terceira idade, passando por pobres e desgraçados. Hoje, a crescer todos os dias, infelizmente. Somos um país solidário. Uma das coisas genuínas e boas que nos fazem ter orgulho no povo que somos! n EC
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