Os feriados e os Dias Santos
Inteiramente de acordo com o corte de alguns feriados civis e certos dias santos de guarda; assim se dizia in illo tempore e, de mim, não se esperem muitas actualizações de terminalogias modernaças. De acordo, mas com certas ressalvas na concordância. Ao 1º. de Dezembro, ponho muitas reticências. Porque não celebra, como o 5 de Outubro, uma mudança de regime, antes o readquirir de uma independência perdida em fins do século XVI, em primeira e última análise com a inconsciência e leviandade que foi Alcácer-Quibir. A diferença de celebrações é considerável! Os dias santos são, em minha opinião, mais consensuais, pese embora, se bem pensado, o dia do Corpo de Deus não pudesse ser à troca com outro menos significativo que agora não me ocorre. Felizmente se manteve o dia da Imaculada Conceição, a quem o rei-restaurador, D. João IV, entregou a protecção e padroado de Portugal. Católica, apostólica, romana que sou, por tradição, educação, convicção e devoção, tenho Maria como uma Mãe e intercessora muito especial. Na missa da sua celebração, a 8 de Dezembro passado, nunca na vida lhe havia pedido, com esperança tamanha, protecção e piedade para com este meu e seu país. Sei do ditado que diz “fia-te na virgem e não corras e verás o tombo que levas!” Não correr é, neste caso, ficar quieto, não intervir, dormir à sombra da bananeira. Tudo bem, quando há espaço para grandes movimentos. Com a “parede” que temos na frente, francamente, estou mais virada para os milagres!. n FADO: Contente, fiquei com a confirmação do fado a património imaterial da Humanidade. Sou, a partir de Amália, uma adepta fervorosa. Daquelas para quem música e letra se interprenetam tão harmoniosamente que aquecem e embalam esta alma tão lusitana, que é a minha. O som da guitarra portuguesa ecoa em mim com o virtuosismo de um piano ou de um violino; envolve-me, embala-me, comove-me. Pieguice? Menoridade? Até pode, mas pelo meu sentir responsabilizo-me eu. Pena foi que, em tão vasta selecção de fados que rádios e televisões escolheram como homenagem, ninguém se tenha lembrado do belíssimo “Fado Português" que José Régio escreveu para Amália, ou Amália adaptou para si. É um pedacinho da História, não só da nossa canção nacional mas da própria história do que fomos. Se não, vejam: “O fado nasceu um dia/em que o vento mal bulia/e o céu o mar prolongava/na amurada de um veleiro/na boca de um marinheiro/que estando triste, cantava/ai que lindeza tamanha/meu chão, meu monte, meu vale/de folhas, flores, frutos de ouro/vê se vês terras de Espanha/areias de Portugal/olhar céquinho de choro!” n BPN: Do romantismo para o realismo: boa a venda daquele empecilho envenenado que foi o BPN. Culpa de muito “boa” gente, tal como o empecilho chamado Face Oculta (e se o é!...). E de certo facilitado pela conivência do “profundo sono” que o então director do Banco de Portugal, dr. Victor Constâncio, facilitou. Será que vamos ficar finalmente livres do trambolho, sem prejuízo dos que de boa fé a ela se confiaram?! Oxalá... n DEPUTADO: Não quero almoços grátis e também me aborrece que alguém se lembre de vir meter a colher na minha sopinha diária. Mas se tiver de ir ao restaurante, pago. Não me marimbo para as despesas do que consumi e outros adiantaram, rasgando a factura na cara do dono da loja. Além de malcriação, seria falta de decência. Daí, que quem não pode dar-se a certos luxos é melhor abster-se deles, ou, no caso do restaurante, oferecer-se imediatamente para ficar a lavar a loiça... (com o estômago composto, nem é assim tão difícil...) O que é que deu ao deputado Pedro Nuno Santos, do PS, para se marimbar tão agitadamente, enquanto dava lições de caloteirismo? Como tem o nome próprio do meu filho, ando sempre de olho nele... e logo uma destas! Vá mas é “lavar a loiça” e ponha o aventual do decoro! n LUÍSA MELO 04-01-2012
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