Khadafi ficou no deserto
Assassinado ou não, o presidente da Líbia, Khadafi, morreu em Outubro de 2011. Em Outubro de 2011, quase ao mesmo tempo em que morria um dos filhos de Khadafi, nascia um filho de Sarkozy, presidente da França. É a lei, se há lei, da morte e da vida. O Mundo vai continuar a girar e os humanos vão continuar a chorar e a rir. ALÁ é grande e tem o poder de castigar, de matar e de premiar. Talvez tudo o que se passou tenha sido por vontade de Alá. Os homens, e também as mulheres, os seres humanos, crentes e não crentes, assumem por vezes as funções dos deuses e ousam condenar, matar e premiar em seu nome. E quando chegam à decisão de matar, são terríveis, são quase irracionais, tornando-se diabólicos. Um dia terão, graças ao arrependimento, à confissão e ao perdão, a possibilidade de ser em gente que vive em paz, mesmo, ou até com os demónios que lhes atormentam os sonhos. Quando eu, simples mortal e pecador, frequentava certas tertúlias onde pontificavam a afectividade, a inocência, a boa disposição e a presença de certos espíritos libertados dos seus invólucros, apareciam alguns anarcas, ou irreverentes, que, com os espíritos mais libertos, mandavam os parceiros mais embirrentos “para o Khadafi”. Para eles, o “Khadafi” era qualquer coisa situada lá no fim do mundo, bem longe, ou tinha o significado de ir para o outro mundo. “VAI PRO KHADAFI”. Claro que, obviamente, ninguém seguia tal ordem e todos continuavam alegremente a celebrar e a viver a vida. Mal imaginaríamos nós que Khadafi ficaria algures no meio das areias de um deserto Líbio, em local que se pretende irreconhecível e não visitável. Penso agora que a expressão “Foi ou vai pró Khadafi” estará relacionada com o horroroso atentado de Lockerbie, que provocou a explosão de um avião em que seguiam dezenas de crianças, de mulheres e de homens comuns e pacíficos. Nessa altura, o mundo acusou Khadafi de principal responsável por essa carnificina. Curiosamente, não retaliou, não prendeu, não julgou, não condenou, e, mais tarde, aceitou perdoar aqueles assassinatos a troco de dinheiro, ou petróleo, como se as vidas humanas tivessem preço comercial. Khadafi foi um monstro durante 42 anos. Mas esse crime horroroso não impediu que Bush e a América, Blair e a Inglaterra, tal como a França, a Itália, a Espanha, Portugal, etc., etc., não lhe dessem uma mãozinha, de que resultaram bons negócios, apoiados pelo petróleo, o ouro negro, que jorrava do subsolo líbio. Quem vendeu as armas, os aviões, o ouro, a alta tecnologia, os mármores, os projectos dos palácios, etc., etc., que tornaram parte do território da Líbia em oásis, nomeadamente para os apoiantes de Khadafi?! Pois, quem vendeu as armas foram precisamente os mesmos que, agora, apoiados pela NATO, derrubaram o criminoso e o ditador. Mas, tal como o historiador e político Pacheco Pereira, também digo que “por muito esforço que faça para compreender o que justificou a política da EU e dos EUA em relação à Líbia, não o consigo compreender”. Terá sido pelo petróleo? Na minha modesta compreensão, não foi só o petróleo e o domínio da sua produção a causa desta situação e, por isso, não entendo muito bem o que provocou, acalentou e apoiou a Primavera de uma “Revolução Árabe” Pacífica. Eu tinha como ideia certa de que, apesar de tudo, o Egipto, a Líbia, a Síria, o Iémen, a Tunísia, a Argélia, a Jordânia, a Arábia Saudita eram Países que constituíam uma barreira ao Islamismo Radical e aos Binladen, contra os Povos do Ocidente. Afinal, vi a NATO a intervir numa guerra civil, e pasmei. A NATO foi criada e existe para estas missões?! Então porque se limitou à Líbia? Porque não atacam a Síria, o Irão, ou outros Países chefiados por ditadores? Entretanto, na Tunísia, os islamitas moderados e a esquerda venceram as eleições. No Egipto, anuncia-se a vitória quase certa dos islamitas nas próximas eleições. Na Líbia, tudo se prepara para mais uma vitória dos islamitas. A Síria e o Irão parecem intocáveis e cada vez com mais poder e prestígio. Então qual foi e é a ideia? Penso que a srª Clinton e o sr. Sarkozy saberão o que se passa e, estou convencido, que David Cameron, Berlusconi e Obama estão confusos. E é porque não entendo certas situações, porque gosto de pensar com e pela minha cabeça, que ouso dizer a alguns importantes desta incompreensível política Mundial: “VÃO PRO KHADAFI”. n SILVA PINTO
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