HÁ 100 ANOS: Em perigo de vida
Quarta-feira de tarde ia cedendo uma grande desgraça nesta vila. Um garoto, trepára, como muitos outros fazem, para cima do muro da ponte, ali, junto ao jardim, seguindo depois, assim empoleirado, em carreira dezenfriada. Em sentido contrario caminhava por sobre a ponte um outro garoto, o qual, finjindo-se descuidado, deixou passar o companheiro, indo logo em seguida agarrar-se-lhe a uma das pernas. Aquele, muito assustado, deziquilibrou-se, e caíria fatalmente ao rio se não tem a grande felicidade de se poder agarrar ao cazaco do outro que, prestes, o ajudou a saír do perigo em que estava. Quando alguem ia em socorro, vio com espanto que o garoto novamente corria vertijinozamente por cima do muro da ponte, galgando por sobre as saliencias das colunatas que ali ha de intervalo a intervalo, com uma frescata e uma ajilidade verdadeiramente pasmozas. E dezapareceu, sempre a correr, lá p’ras bandas do sardão.
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