Sagres ou Super Bock?
Numa altura em que o pessimismo colectivo faz parte do dia-a-dia das pessoas, quase que a nível planetário, é saudável poder encontrar ainda motivos que nos façam rir e comunicá-los às outras gentes. É isso que vou tentar fazer. O lado humorístico da minha viagem a Londres. Aquilo que já conhecia de Londres precisava de ser confirmada presencialmente. Lá consegui vencer a relutância da minha esposa em viajar de avião e levei como speakers os meus netos, pois o meu conhecimento do Inglês é bastante reduzido, já que, no meu tempo, era o Francês que aprendíamos. A viagem do Aeroporto Sá Carneiro para Santtampton teve, já perto de Inglaterra, forte turbulência, o que fez com que minha esposa rezasse com mais fé, dado contar com o efeito de proximidade. Aquelas visitas obrigatórias aos locais emblemáticas, como Museu Britânico, a Galeria de Arte, Bukingan e o render da guarda, a Abadia de Westminster, o Big Ben, a subida na Grande Roda Panorâmica (chamada, em Português, “Olho de Londres”, situada na margem do Tamisa) e a viagem de barco até Greenwich, bem como a visita à Torre de Londres, com as suas deslumbrantes Jóias da Coroa. Também o Museu de Cera de Madame Tausseauds, onde se encontra atualmente o futebolista português Cristiano Ronaldo, embora não se saiba se será por muito tempo que ainda vai continuar a considerar-se português, dadas as intermitências do dr. Aberto João; no que concerne à independência ou não do arquipélago e que são diferentes, conforme o dia, a hora e o local em que são proferidas. Outra coisa que eu não sabia se existia, senão como ficção na obra de Conan Doyle, é Baker Steet. Pois, é realidade. Existe mesmo uma zona de Baker Steet com a estátua do inigualável Sherlok Holmes. Todos estes locais fazem parte de um normal roteiro turístico. Pedimos desculpa à Coroa, por não ter ido ver o vestido de casamento de Kate, que se encontra exposto em Bukinghan, por o tempo não dar para tudo. Mas vamos passar ao que inicialmente me propuz contar. Aconteceu que os meus netos levaram connosco alguns amigos- que , de uma vez, surtiram-se de munições de boca para irem comer ao Hayde Park. Aconteceu aquilo que é frequente em Londres, que foi chover, em todos os quatros dias que lá estivemos. Por causa disso, e não só, eu e o meu neto resolvemos ir comer a uma pizaria ali próxima. E é aqui que aconteceu a primeira situação humorística da estadia em Londres. As pessoas da minha geração não são grandes apreciadoras de pizzas, mas, para uma vez qualquer coisa serve, já que não podemos levar a culinária portuguesa connosco. A nossa escolha incidiu sobre uma em que entrava carne de porco. Na pizzaria, o indivíduo que nos atendeu era obviamente “monhé”. Acontece que eu sou bastante moreno e o meu neto, com as suas barbichas de jovem universitário, também passava bem por muçulmano. Não sei se por ser dia e o mês do Ramadão, ainda agrava mais a situação. Quando o meu neto Daniel escolheu a pizza, o funcionário disse-lhe: “Mas essa tem carne de porco”. E o meu neto respondeu: “Não faz mal”. No entanto, ele teve receio que ele não tivesse percebido bem e insistiu. O meu neto tornou a repetir-lhe que não fazia mal, mas já estava a “afinar” e dizia para mim, em Português: “Ora esta, tomarem-nos por muçulmanos”. E pelo caminho até falava, sozinho, “nós muçulmanos”!. Outra não menos humorística aconteceu-nos um dia à noite, num restaurante. A moça que estava cá força a convidar e a informar, notou que percebia alguma coisa daquilo que dizíamos. Após um diálogo em Inglês, com a minha neta Filipa, disse-nos que tinha estado algum tempo em Portugal, em Coimbra, a fazer o Erasmus, e, daí, algum conhecimento de Português. Informou-nos que era turca e eu perguntei-lhe se, sendo islâmica, não tinha comido lá do nosso leitão à Bairrada. Ela respondeu-me que sim e eu fingi-me admirado, mas ela disse que em Portugal não era pecado. Ai, é tão bom!. Embora os meus conhecimentos de Inglês não sejam grande coisa, conheço aquelas palavras que mais geito me dão, principalmente water, win e beer. Nessa altura perguntei à moça se tinham beer. E ela, a rir, recordando o tempo passado aqui, disse: “Yes, Sagres ou Super Bock?”.
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