Eucaliptos, plantações e problemas
Um destes dias, quando, à beira de replantações de eucaliptos, fazia pender a minha atenção sobre as distâncias de planta-a-planta e linha-a-linha (para um bom planeamento), que, do meu ponto de vista, eram escassas, pessoa experiente no trato desta cultura parou a meu lado e, como que me adivinhasse o o pensamento, disse: “Curtas… Não são?”.
Aquiesci. Após breve conversa, diz ele: “Quer ver que são!”. A proposta sua, fomos fazer algumas medições e logo a primeira, em Macinhata, confirmaria as nossas suspeitas: 2x2,50 metros=a 5x2, nem mais nem menos que o espaço a que ele chamou “celeiro”, onde cada uma das 2.000 plantas deste terreno, por hectare, irá buscar o que lhe é preciso, para as suas necessidades vitais. Continuámos as medições, algumas das quais na freguesia de Valongo, que alternavam entre 2x3 metros e 2,5x2,8, respectivamente 6m/2 e 6,50. Plantas 1.667 e 1,587 por hectare. “Um pouco melhor”, disse o meu acompanhante, adiantando que, em 1972, aquando do pavoroso incêndio que reduziu as nossas matas a um montão de cinzas, os lavradores aplicaram a distância de 3x2,50 metros=7,50 m/2 (1.330 plantas/ha, menos 257 plantas, do que é feito pelos melhores de agora! Diferença que, para terrenos até há pouco dominados por outras plantações de eucaliptos, que os deixaram depauperados, é bastante significativa. Logo a seguir, fomos deparar (e muitas mais haverá!) com uma de 1,3x1,4= hectare, 1,82/m2 e… um número inimaginável de 5,495 plantas por hectare. Surpreendido, o meu acompanhante desabafou: “Não viess e não acreditava! É certo que cada qual, naquilo que é seu, é senhor de fazer o que lhe apetece. Todavia, trabalho tão mal feito, não consigo entender! E quem entenderá, plantas com idade à volta de cinco anos… Uns pauzitos, para cabos de enxada?!”. Uma veio “salvar a honra do convento”: 2,30x3,50 metros = a 8,40 m2. Plantas, 1.190!!! Alguém de passagem elucidou: “É do sr. Victor Loureiro, do Beco”. Concordante a que seja dado espaço, disse essa pessoa: “Aqui, houve o cuidado de pôr zelo nas medidas! E eu sei, cuidado no cumprimento do disposto no decreto-Lei 254-2009 de 24 de Setembro, que torna exigível (mesmo em terrenos como este, que não serve para outra coisa) licença para plantar ou replantar eucaliptos, que até 10 ha pode ser requerida nas Câmaras Municipais”. Silencioso a ouvir, logo a seguir o meu acompanhante declarou: “Bom trabalho! Este, sim, não tenho dúvidas, terá a recompensa de maior produção. Não é com “plantas a monte” que se chega lá. Premiado será o bom-senso dos que facultam condições para um desenvolvimento harmonioso! E salientou: “Dizia-me um lavrador que a adubação resolve o problema. Podia e pode, contudo, reduzir espaço Acumular plantas, não ajuda um serviço de longa duração e dispendioso, difícil de levar a cabo, com a devida regularidade”. Pegando eu no assunto, e já agora como ficou claro na heterogeneidade das medidas aplicadas em apoio oficial tecnológico, os nossos lavradores, procurando resolver os problemas por meios próprios, correm o risco de tornar improdutivo e pesado, muito pesado, o seu trabalho e de não terem a recompensa material que merecem!. A anómala situação levou-me a recordar o ma-gnífico trabalho que, no Congo ex-Belga, onde eu vivi 25 anos (e fiz plantar milhares de pés de palmeira e de café), foi feito pelos agrónomos belgas, instalados em cada concelho, que supervisavam sementes, a sua inserção em viveiros e o lançamento das plantas nas plantações. Em África, há mais de meio século!!!. E, nós por cá, nesta velha Europa que com tantas esperanças e lindos sonhos cor de rosa nos afogou, sempre longe de alguém que nos dê a mão!…
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