Águeda: O Caminho de Santiago passa por cá
A rede de Caminhos de Santiago é uma porta do mundo, aberta de par em par! Comparada a três grandes rios com múltiplos afluentes que, com os seus contributos, vão engrossando os seus caudais, esta rede viária conduz, constantemente, a Santiago de Compostela, milhares de peregrinos, apoiados apenas no seu bordão.
Um desses três grandes rios, o Caminho Português de Santiago, ou Via Lusitana, tem ponto de partida mais comum em Lisboa e passa por Águeda, cruzando o concelho de lés-a-lés, no sentido Sul/ Norte, através de 10 das suas 20 freguesias. Tão conhecido e reconhecido, mundialmente, mantém-se ignorado, tão ignorado, pela população do nosso concelho!!!!... As setas amarelas saltam à vista, inscritas em muros, postes, troncos de árvores ou até lancis dos passeios, ao longo deste corredor humano, a guiar os passos decididos na longa e penosa jornada. As pessoas locais intrigadas, desconhecendo o seu significado, procuram explicações ao nível do seu conhecimento e espalham boatos: São os ladrões que nos andam a assinalar as casa para as roubar!!!... Temos tanto caminho para percorrer até compreendermos que motivações levam, por exemplo, um septuagenário a voar da Nova Zelândia, no outro lado do mundo, para Lisboa e calcorrear a pé, em plena solidão, num país estranho, de mochila às costas, passo a passo, todos os passos que o separam da Catedral de Santiago!!! Este é um caudal humano transcontinental que não conhece fronteiras de qualquer natureza, que cruza os céus, os mares e os continentes, para pôr os pés ao Caminho a partir de um ponto definido, rumo ao túmulo do Apóstolo Santiago na Galiza. Estamos completamente de costas para um fenómeno universal que nos passa à soleira da porta!!! Vamos desmistificar o mito das setas amarelas! As setas amarelas, umas a direito outras curvas, são, a par das vieiras, sinais de um código da estrada milenar, são marcas de um caminho que não é de ninguém e é de todos, que é um património universal, são os guias humildes deste caminho das estrelas, trilhado por peregrinos de todo o mundo desde ainda antes da nacionalidade portuguesa, por onde passaram bispos e reis, por onde a Raínha Santa Isabel peregrinou por duas vezes, que merece o carinho e atenção da população local e de todas as entidades com responsabilidade na cultura, de modo a que dentro de alguns anos esteja apto a ser classificado como Património da Humanidade. n ONDINA DAVID
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