Castanheira do Vouga: Sobreiro abatido é património abatido
Uma árvore secular, carregada de simbolismo e tida como referência para o local, ao qual emprestava o seu nome, foi abatida. Um sobreiro.
Ao longo dos mais de 100 anos, sobretudo antes da reflorestação da região com eucaliptos, serviu de apoio a gerações, que ali pausaram durante as safras de quentes verões. Centenas de vezes, as juntas de vacas coabitaram com crianças traquinas, enquanto as mantas serviam de base para mais uma merenda no intervalo da arranca da batata ou o corte do trigo. A sua sombra era valiosa, bem como a cortiça que servia os mais diversos interesses da população. Alguém, confrontado com a afronta que este bem alheio lhe fazia aos eucaliptos e com a impossibilidade de compra, resolveu abater de forma criminosa e à vista de quem passava, aquela que seria, certamente, a arvore mais idosa da região. O sobreiro, tal como a azinheira, é uma árvore protegida por lei (Decreto-Lei n.º 169/2001, de 25 de Maio, que estabelece medidas de protecção a estas espécies. Estamos perante uma violação desta lei, pelo que a autoridade competente (SEPNA-GNR) está informada. Além da apropriação de um bem alheio, há o não menos importante abuso e destruição do património ecológico e social de uma população. Espera-se justiça, para exemplo de ocorrências futuras.
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