Águeda: Despedida da lampreia e crime ambiental
Sem lenços brancos, mas com estalos de língua no céu-da-boca, muitas centenas de cyclostomófilos despediram-se das mais inteligentes lampreias que entram nos rios portugueses: as que sobem o rio Águeda, prenhas de ovas e cheias de sensibilidade cultural.
Estes animais-ascetas desaguaram na sede da Associação dos Comparte de Bolfiar, ajudando a denunciar um crime ambiental e patrimonial cometido sobre um cedro vigoroso, apesar do seu meio século de existência. Foram os primeiros alunos da escola primária de Bolfiar que plantaram o cedro no recreio, já lá vão cerca de 50 anos, tendo sido tratado com carinho por sucessivas gerações da pequenada de Bolfiar. A árvore ganhou dimensão excepcional, oferecendo sombra refrescante. Hoje, tem cerca de 5 metros de perímetro na base e resistiu, sem dano nem perigo, às intempéries do último inverno, em particular aos ventos quase ciclónicos que tantos estragos florestais fizeram na região. Pois, resistiu a esses ventos excepcionais, mas poderá não resistir ao vandalismo cobarde e ao ácido despejado em seu redor. A revolta dos convivas da lampreia era evidente, tal como foi grande a esperança de que possa ser tomada uma contra-medida química para salvar esta árvore que, para além da sua importância ambiental, povoa o imaginário e a memória infantil de jovens e de adultos da terra devota ao S. Geraldo.
DESPEDIDA E REGRESSO
A lampreia? Estava do melhor… própria para uma festa de despedida como convém, deixando a lembrança e a nostalgia durante nove meses, até que voltem as águas limpas de Fevereiro de 2011, que hão-de seleccionar as lampreias mais finas e cultas dentro das que abordam os rios lusitanos. Até lá, a Associação dos Compartes de Bolfiar promete ir reunindo os amigos e os cultivadores da gastronomia serrana, seja para o cabrito e para a chanfana ou seja para o peixe do rio, quando as águas ficarem mais serenas. n MANUEL FARIAS
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