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Mentalidade e Línguas

por Luisa (dra) Mello em Setembro 15,2010

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l Se há criatura de Deus que entende que os imigrantes devem ser bem acolhidos, justa e legalmente compensados pelo trabalho que desempenham no nosso país, sou eu. Excepto, neste entusiasmo da recepção, para os que venham para a prática da patifaria ou da pedincha, que para “oficios” tais temos nós já muitos nativos…Pior, e isto não é uma generalização, que sempre vou procurando evitar, estamos com os emigrantes, sobretudo os residentes em “franças e araganças”, compatriotas que costumo designar por franceses de Alcochete ou de Avintes, conforme tenham raízes no “deserto Jamais" ou em zonas nortenhas. O problema está em que gosto de entender tudo - como dizíamos na Faculdade, aprendizes de Filosofia que éramos e em filosófica brincadeira, a "razão, o  motivo e o significado  "das coisas. Coisa que, a sério mesmo, me é impossivel alcançar em entendimento, quando oiço pessoas nascidas em Portugal, lusitanas de pai e mãe e demais antepassados, de certeza introduzidas nas primeiras letras - e assim digo porque não me parece que os que seguiram outras etapas de ensino padeçam do vício - por professores da sua nacionalidade e nos primeiros balbúcios por mães e avós, idem, aspas, não entendo, dizia, porque raio e qual "a razão, o motivo e o significado" de continuarem a exercitar o seu "franciú… nas vacanças, dentro do país onde nasceram. Família inteirinhas, facilmente reconhecíveis como portuguesas por um "je ne sais quoi", também português e idiossincrático, que, ainda por cima, seguem em teimar no treino da linguagem do país de acolhimento "avec les petits", que, por maioria de razões deveriam exercitar-se, dada a oportunidade, na sua Língua de origem. Mentalidades… Assim não vale a pena gastar dinheiro com o envio de professores de Português para os francófonos França, Suíça e Luxemburgo. Levar ovos moles para Aveiro é, no mínimo, uma redundância gastronómica… Pior ainda se os pepininhos lusitanos já de pequenos são induzidos no desprezo pela sua língua (isto para não dizer torcidos) e sabe-se lá por que mais que às origens diga respeito. Mentalidades!
Serei talvez a única que não acho isto normal nesta aldeia global em que o mundo todo tem o orgulho de ter-se transformado e hei-de morrer sem descortinar se para melhor se para pior. Mas o que sei de certeza certa é que o Português é uma bela e riquissima língua que a ninguém devia deslustrar praticar, muito menos aos seus naturais falantes. Que é muito traiçoeira também, mas isso só a torna mais especial e dá para boas gargalhadas… A explicação para este meu apego à Lingua que é a minha Pátria (vide Pessoa…) já vem de longe. Recordo, ainda adolescente, o regresso de viagens pela Europa, no Sud-Express, com meu Avô Afonso e tia paterna, Elvira. Muitas paragens estrangeiras corremos!… Na volta, mal reentrados no meu país, o consolo, a alegria, a quase exaltação que me percorriam ao ouvir e poder falar Português! Muita coisa, muitos conhecimentos, muita beleza me ficaram de tais divagações geográficas.
A  fala portuguesa, no regresso é, poorventura, a mais emocionante!
n LUÍSA MELLO - 17-8-2010

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