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Águeda e o Centro Hospitalar de Aveiro

por Paulo Matos em Julho 07,2010

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A Secretaria de Estado da Saúde determinou, no mês de Março último,  a criação de um grupo de trabalho para realizar estudos prévios e promover as diligências necessárias à criação do Centro Hospitalar de Aveiro, que integrará os hospitais de Aveiro, Águeda e Estarreja, os quais  passarão a ter uma gestão conjunta.
No mês de Junho, o grupo de trabalho entregou ao Secretário de Estado da Saúde a sua proposta para a criação do centro hospitalar, certamente fundamentada em razões de interesse público, designadamente a “optimização dos serviços prestados pelos referidos hospitais, bem como o reforço da respectiva articulação e complementaridade, técnica ou assistencial”.
O Centro Hospitalar de Aveiro, segundo fontes da Secretaria de Estado da Saúde, deverá estar constituído até ao final deste ano (2010) e será criado por portaria do Ministro da Saúde, sob proposta do conselho de administração da Administração Regional de Saúde territorialmente competente.
Nos termos do Regime aplicável aos centros hospitalares (Decreto-lei nº. 248/89,  de 26 de Julho), considera o Governo que “o papel desempenhado pelo Serviço Nacional de Saúde, ao nível da prestação dos cuidados de saúde diferenciados, ficará reforçado se alguns hospitais, em função da sua localização geográfica, respectivas valências e diferenciação tecnológica, forem reestruturados através da sua integração em centros hospitalares, ou formarem grupos sujeitos a coordenação comum, o que, decerto, permitirá maior rendibilidade e eficiência na prestação dos cuidados de saúde”.
A questão principal é a de saber qual a missão e qual o perfil de prestação de cuidados de saúde que serão atribuidos ao actual Hospital de Águeda nesta nova unidade conjunta.
É a resposta a esta e outras questões que as populações exigem dos responsáveis, quer do Hospital (que teve dois representantes no grupo que propôs a criação do centro hospitalar), quer da autarquia que, obviamente, não se pode alhear do processo.
É ou não verdade que o hospital de Águeda, integrado no novo centro hospitalar terá dois centros de excelência, sendo um de ortotraumatologia e outro de investigação em biomateriais ?
As populações não percebem sequer o significado destas valências e o que querem e exigem saber dos responsáveis é, se em resultado da integração dos hospitais, haverá ou não melhoria na prestação de cuidados de saúde ?
O que querem saber é se no hospital de Águeda, haverão, por exemplo, mais consultas externas, em novas especialidades como psiquiatria, dermatologia, otorrino, ginecologia, ou outras, que evitem deslocações a Aveiro ?
Por outras palavras, o que as populações querem saber é se, em resultado da integração dos hospitais, serão os médicos a deslocar-se a Águeda e não os próprios utentes a Aveiro ou Estarreja?
O que as populações, em particular os idosos, querem saber é se, em resultado da integração, o Hospital de Águeda vai ou não perder áreas cirurgicas.
O que as populações querem saber é se o Hospital de Águeda vem a ter ou não mais ou menos especialidades médicas, designadamente especialidades diferentes das que hoje tem (cardiologia, medicina interna, cirurgia, ortopedia, oftalmologia, fisiatria), ou se, em algumas destas especialidades, os cidadãos utentes terão que suportar deslocações a Aveiro ou a Estarreja, com as conhecidas dificuldades de acesso, designadamente sem a ligação rápida Águeda-Aveiro, e com o espectro do pagamento de portagens nas SCUT ?
Os cidadãos e em particular os utentes da saúde estão disponíveis para entender a lógica dos números, assente na racionalização de recursos e nos ganhos de eficiência e de escala que poderão resultar do reforço da articulação e complementaridade entre estabelecimentos hospitalares situados em áreas geográficas próximas, potenciando um melhor aproveitamento da capacidade neles instalada, e evitando-se muito do desperdício que hoje é regra na sáude.
Todavia, o que os cidadãos utentes, porque são pessoas, têm revelado dificuldades em entender e dificilmente aceitarão, é que o conhecido desperdício no sector público da saúde, em que 70% das despesas são afectas a custos com pessoal, tenha que ser, mais uma vez, suportado pelos sacrifícios daqueles, com a possível perda de valências do hospital da sua área geográfica (não compensado com o ganho de outras), e com os custos de deslocação a outros hospitais, sem a preparação prévia de redes viárias condignas.
De resto, este mesmo racicocínio vale para o fecho de escolas em curso pelo país, apenas com base em critérios estatisticos, sem qualquer respeito pelas dificuldades das crianças e das famílias.
Espera-se que os responsáveis dos três hospitais e dos poderes publicos locais não se esqueçam que as políticas públicas devem ser explicadas aos cidadãos e orientadas sempre para uma maior proximidade local.



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