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Hospital de Águeda - que futuro?

por Paulo Matos em Janeiro 29,2010

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O director do Hospital Infante D. Pedro, Francisco Pimentel, em entrevista ao JN, anunciou que “Aveiro vai ter um novo Hospital e deverá evoluir para um hospital central com uma urgência polivalente”. Mais referiu que “provavelmente ainda este ano, os hospitais de Aveiro, Estarreja e Águeda irão unir-se num Centro Hospitalar, em que será a Administração de Aveiro a gerir essas unidades, mantendo-se em cada uma delas um director”.
A tal evolução não terá sido alheia a decisão de instalação em Aveiro de uma nova Faculdade de Medicina, numa parceria entre as universidades do Porto e Aveiro, embora as vozes mais realistas alvitrem que, na situação de crise em que está o país, será pouco crível que, antes do próximo quadro comunitário de apoio, haja financiamento para a construção do referido novo Hospital Central.
Neste cenário em uma das prioridades das grandes opções do plano de gestão dos objectivos para 2010 da CIRA (Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro Baixo Vouga), já aprovado, é justamente o “acompanhamento do dossier da criação do Hospital Central de Aveiro”, da organização da rede hospitalar e da gestão dos Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES), mediante articulação da acção dos municípios, cabe aos aguedenses reflectir e questionar sobre o futuro do seu hospital.
 
Nadais acusava o PSD
 
Quão longe vão os tempos de polémica em que o sr. presidente da Câmara de Águeda responsabilizava o PSD pela não inclusão dum novo Hospital para Águeda na Carta Hospitalar! Era Ministro da Saúde Luís Filipe Pereira e o PSD ainda geria a Câmara de Águeda.
Tal matéria gerou polémica tamanha que justificou comunicados públicos, quer de Gil Nadais (na altura ainda aspirante a Presidente da Câmara de Águeda), quer do PSD e de outras entidades que, responsavelmente, já na ocasião chamavam à atenção da opinião pública para a desinformada e demagógica posição de Gil Nadais, face às novas tendências da gestão hospitalar.
Com efeito, como hoje se comprova, tais tendências já caminham há bastante tempo para um sistema descentralizado, em que pontificam grandes hospitais (centrais) e, complementarmente, hospitais de retaguarda ou de apoio aos principais, como se vaticinava ser o caso do hospital de Águeda, melhor talhado para gerir certas “especialidades” que pudessem servir a região de Aveiro, no seu conjunto.
 
Esvaziamento do Hospital
 
A Administração Regional de Saúde do Centro até chegou a encomendar vários estudos que davam nota dessa tendência mas cujos resultados, estranhamente, nunca vieram a público.
Hoje, Águeda assiste com preocupação às tentativas de esvaziamento do seu histórico Hospital Conde Sucena, e não se vislumbra da parte dos poderes públicos locais (para além da habitual dança de cadeiras na administração quando muda o governo) nenhuma intervenção que possa alertar e explicar à população o que efectivamente se está a passar, num tempo em que também afluem à urgência de Águeda, em elevado número, utentes da defunta urgência de Anadia e também do defunto SAP de Albergaria-a-Velha.
E a verdade é que, segundo informação que obtive, o Hospital de Águeda já perdeu o internamento de Pediatria e, apesar de ainda prestar serviços de urgência médico-cirúrgica (que inclui ortopedia e cirurgia na urgência, estando naturalmente os seus médicos e utentes a beneficiar com essa situação), se a lei fosse efectivamente aplicada, estaria já a funcionar em regime de urgência básica (sem ortopedia e sem cirurgia na urgência, mas apenas com clínica geral) que é o papel que, segundo parece, lhe está destinado a breve prazo.
Neste quadro, anunciam-se algumas obras para ampliação da urgência, certamente para garantir a chamada “triagem de Manchester”, sendo certo que, segundo os especialistas, os serviços de urgência básica têm uma matriz idêntica (plano funcional) para todo o país, e daí a necessidade de tais obras para incluir a referida triagem, o que se compreende e saúda.
No entanto, ao longo dos anos, o Hospital de Águeda já passou por várias obras de remodelação e beneficiação, mas também é verdade que ainda hoje padece de falta de espaço envolvente, tendo uma estrutura física de base (edifício arrendado) muito antiga, com diversas dificuldades funcionais e arquitectónicas.
Já no plano da qualidade da prestação de serviços de saúde, desde há muito que o Hospital de Águeda se situa em boa posição no ranking da produtividade nacional da região centro (3º. lugar), bem como do nível dos seus equipamentos clínicos em que as várias administrações vêm investindo, com algum sucesso, desde há vários anos.
 
Morte lenta
 
O anunciado caminho de transformação de alguns hospitais como os de Águeda, Covilhã, Fundão, Mirandela, Bragança, Guarda, Seia, em meros “centros hospitalares”, fere em boa medida os orgulhos locais e o “adquirido” que tais hospitais representam na história e no desenvolvimento das suas regiões.
Mas compreende-se que assim possa ser, na lógica das economias de escala que implicam natural poupança e racionalidade na utilização dos recursos (preocupação rara dos políticos de hoje) para servir mais e melhor as populações.
Todavia, espera-se que este fenómeno não seja, como a economia do país, uma forma de anunciar a “morte lenta” de alguns hospitais, através da retirada e mobilização dos seus recursos para outros hospitais mais centrais onde tais recursos nem sequer existem nalguns casos, sendo as mudanças anunciadas, sem que se conheçam as suas devidas contrapartidas!
Deveremos, por isso, estar em alerta máximo, para que este movimento de criação dos “centros hospitalares” não seja uma forma de secar hospitais com provas dadas em determinadas especialidades, como é o caso do Hospital de Águeda, o qual segundo a “vox populi”, pontifica em áreas como a ortopedia, a cirurgia, a medicina interna e outras que desenvolvem a sua actividade no acompanhamento destas (Raio X, Análises e Fisioterapia), mas seja antes um caminho sólido para os transformar e potenciar em verdadeiros “centros de excelência” nessas áreas/especialidades ou outras que se destaquem, por forma a que sirvam melhor os seus utentes, e não apenas as debilidades dos hospitais centrais.
A isto devem estar atentos os autarcas, para que os cidadãos utentes do Hospital de Águeda não continuem a sentir-se mal representados, quando olham para o seu Hospital e o vêm definhar, ante futuro tão incerto.
*Membro da Assembleia Municipal de Águeda e da Assembleia Intermunicipal da CIRA – Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro - Baixo Vouga


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