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Os novos do Restelo e o futebol

por MJHM em Junho 18,2010

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O que tem acontecido nestes últimos tempos, a propósito da partida para a África do Sul dos jogadores que vão representar Portugal no Campeonato do Mundo de futebol, o que se tem feito, dito e gasto não pode deixar de merecer umas, nem que sejam poucas, linhas de comentário.
A começar no mais humilde varredor de rua, até ao mais alto Magistrado, percorrendo todas as escalas da actividade humana, sejam elas de que natureza forem, toda a gente opina, vaticina, aposta, palpita, exibindo um conhecimento de causa como se todos, e cada, um fossem tão bons treinadores como o José Mourinho e tão geniais jogadores como o Cristiano Ronaldo, esquecidos que dessa estirpe não são detectados mais do que um ou dois casos excepcionais, em cada dezena de milhões.
Esta ascenção em massa que outorga a cada portuga o título de “treinador  de bancada” acaba  por servir de lenitivo e incitamento à arraia miúda lusitana,  que vê reflectido em cada espelho o seu próprio ego.
Acontece, porém, que esta nossa tendência para o exagero, tendência  que tanto serve para nos considerarmos ora os melhores ora os piores do mundo tanto pode provocar euforias delirantes como depressões catastróficas. O que leva, ou levaria, a considerar de são prudência refrear o exagero que por aí vai de forma a termos sempre presente que não é só na política que a Rocha Trapeia está situada paredes-meias com o Capitólio.
Mas, para além do que já ficou escrito, parece ser da máxima conveniência procurar transformar atletas de alta competição em heróis nacionais. O que é ridículo, pacóvio e provinciano. Nem José Mourinho, nem Cristiano, nem Carlos Lopes, nem a vencedora da estafeta olímpica, cujo nome lamentavelmente me não está a ocorrer, são beneméritos da Pátria.
Porque a benemerência das Pátrias celebra-se quando um país dá novos mundos ao mundo, como nós fizemos em tempos idos; não se joga aos pontapés numa bola ou a braçadas de natação, ou a pista de atletismo.
A despedida da delegação portuguesa rumo à África do Sul ultrapassou largamente a da partida  de Vasco da Gama para a Índia. Partiram como heróis, seguros de que vão triunfar. Nada menos certo. Festejar,  uma vitória que ainda,  não se obteve pode ser o epílogo de um regresso de sendeiro. Oxalá me engane e não estejamos à beira de uma nova e amarga desilusão.



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