Clube da Venda Nova: Quem ficou a rir o Celestino de Almada!
Até há pouco tempo, os postes e as árvores das ruas e rotundas estavam alindados com fotografias penduradas de políticos, quase todos de manga arregaçada, em pose e com sorriso cativante. O Si Ara, olhava sobranceiramente para o Óscar do Ribeirão, este engravatado, com ar ganhador; o Gil Pedalais, desdenhoso, em camisa ao lado do Agridoce, com novo loock, os do bloco pareciam olhar o aperaltado Zé Carlos Centago que parecia sorrir par o Nelson Fiel, vestido de marinheiro graduado. «Isto foi sinal de tolerância e convivência democrática, o que é saudável, não há sectarismo e dão-se todos bem, até nos cartazes», disse o analista Silva Frango, à mesa do Avenida, acrescentando que «quem ganhou e os outros esperam pela sua vez!». «Também sinal disso foi o que se passou na eleição do presidente da Assembleia do Clube», comentou o Deniz de Bouquets. «Pela constituição da assembleia, quem teria a presidência seria a Nair do Barrete, mas quem ficou a rir foi o Celestino de Almada e isso atesta a excelência do voto secreto». «Pois foi… - continuou o Lenine de Falgoselhe - mas olhe que eu não fiquei nada surpreendido, porque há quem não respeite a disciplina partidária e se deixe convencer por qualquer coisa... não digo que haja corrupção... nem ande por aí alguma face oculta!». «Só não entendo por que é que o Agridoce, não assume o lugar de vereador, se foi o cabeça de lista», disse, reflexivo, o Pelé Bancário. «Um lugar tão honroso e que já conhecia tão bem…». «Não assume e o receio dele é justificado – respondeu o Lenine – tem medo de alguns dos outros estar infectado com a gripe A, B ou C...». «Assim aceito – ironizou o Pelé – porque as eleições já mostraram que o sistema imunitário dele está um bocado fragilizado!» «Mas mais um sinal importante de sã convivência democracia foi o discurso apologético do Gil Abredepois no Aniversário da Associação dos Comerciantes de Secos e Molhados, que reuniu centenas de comerciantes de muitas tendências, ao referir-se ao seu adversário político e homónimo Gil Pedalais», comentou o Deniz. A Manuela dos Cacos, que ia a passar, parou, intrometeu-se e afirmou com ar grave: «Olhem que aí, nesse jantar, que tinha a finalidade de unir todos os comerciantes e criar amizade entre eles, não o deve ter conseguido porque houve grandes injustiças. Vejam lá que deram um prémio ao Zé do Candeeiro, que vende nabiças e feijão carrapato e ao Acácio que negoceia em botijas de gás e fogareiros e a mim, não deram nada, eu que sou sócia desde o início e vendo louça da china, estatuetas da Índia, bengalas encasteladas em prata...» «Ai alguns dos que lá estavam bem precisavam de umas bengaladas – rematou o Luís Bastinhos – disseram-me que o Joaquim da Trigal trouxe de lá mais de dois quilos de leitão numa saca que tinha escondida debaixo da mesa e quando foi descoberto disse que era para fazer bola de leitão!»
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