Postal da Semana: Desperdício
Praia pouco frequentada, sol convidativo, a chegar à hora do almoço. Estava com dois amigos. Próximo de nós, duas jovens, com recomendável aspecto físico e bastante simpáticas. Com elas, estava um bebé, cuja idade andaria pelo ano e meio a dois anos. Perguntaram-nos se podíamos olhar pelos seus haveres, enquanto iam ao café próximo para alimentar o bebé. Quando regressaram, agradeceram e juntámos as conversas. Pareciam disponíveis, eram solteiras e “sem companheiro”. Nós, solteirinhos e bons rapazes, construímos de imediato alguns “cenários”… A páginas tantas, interessou-nos satisfazer a curiosidade sobre o bebé. “Temos estado a tentar saber de qual das duas é a criança, mas não conseguimos adivinhar!” A resposta foi um entreolhar entre as duas, sorriram e não responderam. Insistimos: “Sim, também pode acontecer que não é de nenhuma! Mas, sim, de familiar ou amiga!” Voltaram a entreolhar-se e a sorrir. Persistentes q. b., logo que houve oportunidade, “perguntamos” ao bebé!: “A mamã, onde está?” O bebé apontou para uma das jovens, que estava mais próxima dele. “Ah!, afinal és tu a mãe deste lindo bebé?!” Entreolharam-se de novo e sorriram! Não me contive: “Desculpem, mas vão ter que nos satisfazer a curiosidade!” Atendendo a que já estávamos mais “familiarizados”, iniciámos diálogo sobre o assunto que nos intrigava. Foi assim que ficámos a saber que o bebé era “tecnicamente” de uma, mas as duas achavam-se mães! Viviam as duas em “união de facto” há alguns anos e haviam decidido ter um filho. Ficámos naturalmente desapontados e a comentar entre nós: “Tão bonitas e simpáticas! Que desperdício!”
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