Secundária Marques Castilho é notícia…
Estávamos no limiar dos anos 60 quando, com justificada pompa e circunstância, foi inaugurada, com música e foguetes, a actual Marques Castilho:um edifício bem localizado, arejado, a emprestar a Águeda uma nova esperança de futuro no desenvolvimento económico da nossa região e a imprimir uma tonalidade de progresso e um timbre de modernidade! Foi boa a festa, pá!, como diria Chico Buarque, se o tivessem convidado. Foi por esse tempo que, na casa dos 20 anos, pisámos pela primeira vez aquele chão que é nosso e onde se iriam fundar os alicerces de uma Águeda na rota do desenvolvimento industrial. Como era e continua a ser, apesar de vetusta, bela, a nossa Escola! Nem os muitos anos que passaram lhe subtraíram a imponência, nem a nós diminuíram o sentimento que nos inundou de felicidade naquele dia em que, pela primeira vez, com a religiosidade de quem entra num templo, atravessámos solenemente aquelas portas. Desde então, passaram por lá centenas de professores que transmitiram os seus conhecimentos e prepararam, ou pelo menos tentaram, para a vida milhares de jovens que se fizeram técnicos uns, gestores outros, alguns industriais, e mais uns quantos a atingirem patamares bem mais altos, mas todos, sempre todos ou quase, a cultivarem pela Marques Castilho um carinho só comparável àquele porque somos invadidos quando recordamos o colo onde aprendemos a dizer mamã e papá. Mas, neste meio século de vida fértil daquele espaço, o mundo deu um passo de gigante na tecnologia do conhecimento, também nas relações com a Escola e, hoje, não bastam as introduções à física e à química do nosso tempo, nem nos podemos contentar com as simples noções de comércio que os dedicados professores nos transmitiram, sob pena de ficarmos cada dia mais longe dos países desenvolvidos e muito mais perto de um qualquer terceiro mundo. É neste contexto, e com a noção de que, sem condições para um ensino moderno, actualizado e eficiente não se dá o salto qualitativo de que o País tanto necessita para deixar de ser o último dos últimos, que recebemos com entusiasmo a notícia das obras na Marques Castilho, sempre acreditando no bom senso dos seus promotores e na competência dos especializados projectistas. Nós, é óbvio, aplaudimos o progresso de Águeda em contraste com aqueles que gostariam que o mundo parasse. O marasmo de muitos não é, nunca foi, o nosso lema, mas rejeitamos um progresso irreflectido e a qualquer custo que, quase sempre, acaba em retrocesso! No caso, trata-se de uma zona nobre da cidade, muito sensível às mudanças, e uma intervenção desta grandeza e deste impacto exige cuidados que os responsáveis, certamente, não descuraram, medindo, atempadamente, os benefícios e prejuízos, que sempre os há. É o vizinho do lado habituado a ver uma certa paisagem que, impreterívelmente, vai ser alterada, é o aguedense anónimo (mas também com direito a fazer ouvir a sua opinião), é o jubilado professor a ter ressonâncias de nostalgia, enfim, é um sem número de intenções, sentimentos e algumas maldades a vir ao de cima, num período propício a exibirmos o que não somos e conhecimentos que não temos. Somos dos que nos sentimos ligados àquela Escola de alma e coração. Pelos anos que por lá passámos e pelo que ela nos ensinou, habituámo-nos a amá-la como coisa nossa, em cada pedacinho de terra, cada árvore e cada recanto. Mas se para garantia do futuro da escola e melhoria do ensino em Águeda, tiver que se alterar um espaço, mudar ou substituir umas quantas árvores e se for apenas esse o custo para haver em Águeda um ensino actualizado e de qualidade que abra novos horizontes às gerações futuras, valerá a pena o sacrifício e nunca faltará local, dentro da cidade, para plantar arvores. Depende apenas dos Homens! Acautelado que esteja este problema, que é importante, e outros - como o do parque de estacionamento para alunos e professores - aceitamos com optimismo e sem reservas a esperançosa notícia, com a certeza de um melhor futuro da nossa cidade e com felicitações para os responsáveis, autores da iniciativa. Não temos dúvida de que a nossa opinião é polémica, mas aplaudimos sem reservas quem, em tempo de vacas magras, conseguiu canalizar do Governo Central para Águeda, milhões para fazer da Marques Castilho uma escola moderna e apetrechada das condições ideais para preparar a nossa juventude a fazer face aos desafios maiores que vamos enfrentar e que são cada vez mais difíceis de vencer. Temos a certeza, e os promotores também a terão, de que virão a terreiro, já vieram, alguns nostálgicos de um tempo ido e os saudosistas de um passado que não volta (felizmente, o mundo não anda para trás), dispostos a perverter as intenções dos autores da obra, que até dizem desconhecer, mas, mesmo assim, prontos a dizer mal dela. Por onde andariam eles, os que agora contestam e que, como eu, não apareceram na apresentação pública promovida pelos projectistas e pela própria Escola? Aí, sim, poderíamos ter exposto as nossas razões, esclarecido dúvidas, opinado sobre o projecto e propor alterações, em tempo útil! Porquê, agora, quando as obras estão a começar? Andavam distraídos, ou escolheram o dia e a hora certa? É um bom tema eleiçoeiro, logo o tempo presta-se a este aproveitamento para fazer dele uma bandeira de enfeite no palco daqueles a quem faltam outros argumentos. Um microfone, uns minutos de antena e um ainda que minúsculo auditório, transforma seres fracos em heróis de guerras que não fizeram, néscios em técnicos de especialidade que não têm, ou em exímios arquitectos paisagistas mesmo aqueles que não saibam traçar uma tangente. É assim, o ser humano! Todavia, nós pensamos que, quem sabe do que fala, deve falar até se cansar mesmo que não tenha razão. É o direito à opinião! Quem não sabe que mude o tom das suas palavras e a cor do seu discurso ou, de preferência, se cale para sempre que é a melhor forma de esconder as suas misérias. n a.a.silva 2009-07-29
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