Início : Regional : Mourisca do Vouga: Assim falou o PAG de Os Pioneiros
Mourisca do Vouga: Assim falou o PAG de Os Pioneiros
Quando me convidaram para integrar uma lista participante às eleições nos Pioneiros, dos muitos sentimentos que, no momento, me afloraram o sub-consciente, não consigo descortinar muito bem qual foi o mais forte: se a vaidade pelo convite, ou se o receio de uma derrota eleitoral. É que isto de perder,... nem a feijões!
Na ânsia de arranjar uma boa razão para rejeitar o repto e passar ao lado do escrutínio sem me expor à hipótese da derrota, questionei-me: porquê eu, que nem sequer sou da Mourisca? Mas a resposta estava ali, na ponta da língua do meu interlocutor, deixando-me ainda mais surpreso e, até, algo confuso, ao afirmar-me, cheio de convicção, que “nem os Pioneiros estão restringidos às fronteiras de uma freguesia, nem o António Silva está mais confinado aos limites da gândara de Travassô!”. Confesso que fiquei desconsertado com tão convincente apelação e não enjeito que, naquele momento, o meu EGO inchou ao ponto de, a partir daí e durante alguns meses, não encontrasse argumentos, embora os procurasse, para continuar a rejeitar o convite. Eis senão quando, preocupado até alguns dias antes do acto eleitoral e ainda na incerteza da decisão a tomar, num fragmento de lucidez, raro em mim, me ocorreu o que há muito era óbvio: afinal, até tenho muito de afectivo com a Mourisca!
O EXEMPLO DE DINIZ SARAIVA
Foi por aqui bem perto, ali mesmo, juntinho à capela, que na minha juventude, por volta dos vinte anos, privei com alguém de quem me tornei Amigo até ao fim e com quem fiz a minha cátedra, vejam bem, em solas e cabedais! Mas não só. Porque, com esse Senhor, um Homem de “H” grande, carácter vertical e de uma humanidade invulgar, estive envolvido em actividades associativas, musicais e culturais. E também com ele partilhei, desenvolvi e apurei sentimentos de inconformismo, ao ler, nos fins de semana, as suas crónicas editadas pelo jornal “Independência de Águeda”, de que eu era um fã e ele um colunista que, sub-repticiamente e com a perspicácia da sua inteligência, encontrava sempre a arte de fintar a censura e dar umas boas ferroadas no regime desse tempo. Foi assim que fui adquirindo o gosto pela leitura! Quem diria que, indelevelmente, esses contactos viriam a influenciar a formação da nossa personalidade!? Quanto eu gostaria que ele estivesse entre nós, ainda hoje, porque seria, por certo, um grande mestre e, quem sabe, o melhor cronista da “Soberania do Povo”! Em resultado dessa vivência e porque “um mal nunca vem só”, foi também dele que adquiri este feitio de protecção aos mais fracos e de contestatário às prepotências. Temperamento, aliás, espontâneo e sincero, que conservo, ainda hoje, como o luzeiro da minha vida, onde está impresso o lema que me guia: ouvir primeiro, agir depois! Estas e muitas outras razões fizeram-me perder a coragem de continuar a dizer não ao convite para o lugar que ora exerço. E, finalmente, aceitei! Nesta momento solene, dir-vos-ei que a minha passagem pelos Pioneiros é - para além do carinho que a Associação me merece; e do respeito e consideração que sinto pelos que, comigo, acabam de tomar posse - a homenagem que devo ao saudoso Diniz Saraiva. Um Homem sempre preocupado com os que mais precisavam! E, ao preito que aqui faço ao Pai, acrescento a honra aos filhos, em espacial ao Júlio, meu particular amigo, pelo cargo que aqui exerceu e de que hoje me passou o testemunho. Chegados a este ponto, direi que considero um privilégio dar um pouco de mim a esta prestimosa instituição de carácter social e ter a oportunidade de fazê-lo com uma equipa directiva que espero excelente, chefiada pelo voluntarioso José Carlos Arede, capaz de remover céus e terras até alcançar os objectivos a que se propõe. Eu aprecio! Todavia, recomendo-lhe, meu caro José Carlos, que perscrute bem o que está no interior da “montanha”, antes de provocar a avalancha!
VIGILÂNCIA E DEDICAÇÃO
O cargo que ora ocupo, exercê-lo-ei vigilante e com a mesma dedicação que ponho em tudo aquilo em que me envolvo, pelo que pode contar sempre com o meu apoio e, principalmente, com a minha lealdade. Respeitarei o espaço de todos e de cada um e estarei sempre disponível para servir os que precisarem dos meus insignificantes préstimos, mas sempre atento e pronto a pugnar pelos mais altos desígnios dos Pioneiros. Contem comigo! Como objectivo único, trago no alforge a esperança de não desmerecer da confiança de todos, nem frustrar a esperança de quem nos elegeu, muito menos desiludir os bem-intencionados. À direcção cessante, quero, já em nome dos nossos pioneiros, agradecer tudo o que fizeram de bom nesta casa, durante nove anos. Um longo consulado para quem governa uma grande Nau como esta! E vocês resistiram a todos os ventos, marés e tempestades, sem desfalecimentos nem mostras de cansaço. É assim, sempre que trabalhamos por amor a uma causa. E esta é, sem dúvida, uma boa causa a que vocês dedicaram o vosso amor. Parabéns! Uma palavra, também, para quem aqui faz a sua vida, recebendo o justo salário pela prestação dos seus serviços. Sei, por enquanto só pelo que ouço, que todos vós sois funcionários dotados de qualidades essenciais e devotados à causa de alma limpa e coração aberto, como convém em qualquer missão. Predicados ainda mais apreciados quando, como aqui, se trata de uma Associação de Solidariedade com valências múltiplas e específicas, como são os serviços prestados a pessoas muito especiais e cada uma com a sua especificidade - os nossos avós, os nossos pais, os nossos filhos -, carentes de tudo e, não raras vezes, a necessitarem, principalmente, de amor. Um sentimento que todos vós, funcionários, tão bem sabereis distribuir. Vamos continuar neste nível de entrega e, na medida do possível, cada um de nós, dar mais um pouquinho, fazendo o que de melhor podemos e sabemos em favor da Humanização desta casa, amparando aqueles que já nos cuidaram e cuidando daqueloutros que nos hão-de amparar! Neste capítulo, não podemos ter limites, pois só assim serviremos esta causa com a dignidade que ela nos impõe. Só assim, dos Corpos Sociais aos Funcionários, seremos dignos. Uns, do salário que recebemos, os outros, da confiança que depositaram em nós!
SEJAMOS DILIGENTES, EFICAZES E VENTUROSOS
O PAG, no início do seu mandato, partilha com todos, num auguro de confiança, o voto recebido na eleição, e formula, para os órgãos sociais, directores, chefias e chefiados, um desejo apenas: que sejamos diligentes, eficazes e venturosos, que saibamos conduzir os nossos passos no caminho do bem-fazer, para alcançarmos o bem-estar e a paz daqueles que se entregaram nas nossas mãos. O nosso código de conduta será, sempre, estar ao serviço dos utentes, cujas famílias confiaram as suas vidas à nossa guarda. É nossa obrigação proporcionar-lhes toda a felicidade que esteja ao nosso alcance. Desde os rebentos que aqui crescem como as flores dum jardim, até aos que, já no ocaso da vida, fizeram desta a sua derradeira morada e dos Pioneiros a sua verdadeira, às vezes, única família, pois, chegados à última etapa, já indefesos e, mais do que nunca, expostos e sensíveis ao bom e ao mau que lhes fizermos. Oxalá nunca nos falte sensibilidade, disposição e força, para lhes darmos o amor, carinho e companhia a que pelas leis de Deus e, até dos homens, têm direito! É, afinal, por eles e para eles que estamos aqui! Que o nosso trabalho seja humano e prestimoso quanto baste, para que a família d’“Os Pioneiros”, nunca se arrependa de ter contratado uns e elegido outros para esta nobre missão.
SÓ O BEM É ETERNO
Antes de terminar, quero, ainda, em nome da Associação, prestar homenagem a todos os mecenas que têm ajudado a colmatar muitas das necessidades dos Pioneiros. Um muito obrigado pela coragem que nos dão para continuar esta cruzada. Nós, Pioneiros, prometemos não esquecer, nem desistir de dar conforto a quem precisa. E vós, a quem a vida sorriu, não esqueçam que um pouquinho do que vos resta, para além de ajudar quem precisa, imortaliza a vossa passagem por este mundo, que de eterno só tem o bem que praticamos a favor do nosso semelhante. Depois de partirmos, só as nossas acções ficam. Todas as orgias, exuberâncias, exibicionismos e excessos, são expressões materialistas que apenas manifestam vaidades exacerbadas, que se diluem no tempo como o fumo de um cigarro e morrem breve como tudo o que é efémero. Só o Bem é eterno! Muito Obrigado.
813 vezes lido
|