O preto que queria ser branco
São muito poucos os que se confessam contentes com a condição que lhes sai na rifa da vida. Os pequenos desejariam ser grandes (ou pelo menos maiores); os velhos gostariam de provar o licor da juventude; os burros aspirariam à inteligência; os ignorantes procurariam cultivar-se; os pintores desejariam ser tão criativos quanto Picasso; os escritores tão geniais quanto W. Shakespear; os compositores como Beethowen; os oradores como António Vieira; os generais como Napoleão; os futebolistas serem iguais (ou ainda melhores) do que o Cristiano Ronaldo; os pugilistas idênticos a Cassus Clay; os actores tão geniais quanto Charlot; os romancistas iguais a Tolstoi; os estadistas ao menos parecidos com Churchill; os filósofos com o valor de Sócrates ou Platão; os Santos iguais a Cristo e, já agora, Cristo ser verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Lamentavelmente, é o oposto que se verifica. Os homens são maus, são lobos de si próprios; os chefes são déspotas; os ricos ainda querem ser mais ricos; os invejosos descontentes e gananciosos, os escravos incapazes de se libertarem. Só faltam, neste rol, os pretos quererem ser, não como os brancos, mas da cor dos brancos. Nem estes faltam. Acaba de morrer, esta semana, o mais carismático, mas também o mais excêntrico e porventura o mais talentoso de todos nós: MICHAEL JACKSON. O pior entre os piores? Quem sabe? Porventura o melhor entre todos. Descansa em paz, Michael. No “teu” Céu, como não conseguiste descansar na Terra.
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