A Fundação Comendador Almeida Roque
Eu não ficaria de bem com a minha consciência se deixasse passar este momento sem, publicamente, manifestar o meu regozijo pela criação de uma fundação que tem como objectivo principal a formação e desenvolvimento de uma região e cujo patrono é um amigo de longa data, que muito estimo e a quem me ligam sentimentos de verdadeira amizade e perene lealdade, com início há dezenas de anos. Almeida Roque, que nasceu em Barrô, concelho de Águeda, há muitas décadas, por cá brincou, fez amigos e estudou, por cá namorou, trabalhou e constituiu família, por cá se fez industrial e granjeou fortuna, diga-se, sempre à custa de muito rigor e trabalho insano, fortuna que tem servido para, entre outras coisas, acudir a muitas necessidades individuais e colectivas, desde os jardins-de-infância às casas de repouso, desde os lares de idosos às associações culturais, à solidariedade social, humanitária e desportiva. Não haverá associação que não tenha beneficiado da sua generosidade, sem esquecer os que, frequentemente, lhe batem à porta, pedindo socorro nos momentos de infortúnio. Um verdadeiro mecenas! Pela sua perspicaz lógica de raciocínio e activa vivacidade, pelo seu carácter forte e acutilante e pelo seu sentido de observação, aliado a uma sensibilidade de coração de manteiga, capaz sempre de dar-se a quem precisa, foi e continua a ser um HOMEM controverso. Mas o seu povo, o povo da sua terra e da sua meninice, adolescência e homem feito, aquele que melhor o conhece, fez-lhe já, e há muito, a justiça devida, ao glorificá-lo com o mais importante galardão que um bom e humilde cidadão pode almejar. Há poucos anos, recebeu um título assinado pela chancelaria do Estado como reconhecimento de mérito industrial e agrícola. Ora, apesar da pompa e circunstância com que se revestem actos desta índole, quase sempre com sabor político, falta-lhe, contudo, a espontaneidade, a sinceridade, o conhecimento e o aval que só o povo, na sua simplicidade, soube conferir, quando o intitulou “COMENDADOR DO POVO” Tudo isto aconteceu dentro da jurisdição de Águeda e, todavia, a cidade vizinha foi a terra adoptada para fazer a obra mais emblemática da sua vida: uma Fundação! Que terá levado este Homem, gerado, nascido e criado em Águeda, pai e avô em Águeda, com amigos, BI e residência em Águeda, a preterir a sua cidade em favor da vizinha? Não. Ele não pode ter cedido a bajulices! Logo ele que, num acto de manifesta humildade, rejeitou receber, em cerimónia pública, a Medalha de Ouro da sua Cidade, Águeda? Ele que rejeitou todas as homenagens públicas que o seu burgo lhe quis prestar? Porque adoptou ele uma posição de afastamento a quase tudo o que é Águeda? Será porque Águeda não quis, ou porque Águeda não soube conquistar as suas graças? Ou será porque os santos da porta não fazem milagres? O que aconteceu, afinal, todos, gostaríamos de saber, mas as razões, só Ele as saberá! n a.a.silva 2009-06-24
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