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Águeda: Bombeiros, 75 anos!

por Redacção Soberania em Junho 09,2009

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Tudo começou com um cartaz rasgado, que ondulava ao sabor do vento e se agarrava com derradeira réstia de força a um poste de iluminação, algures na Rua Luís de Camões. Naquela tarde aguedense de 1936, quis o destino que ele passasse por ali, que debruçasse o olhar sobre o cartaz e que ficasse cativo do apelo lá inscrito. Até hoje.

Setenta e três anos depois, José Laureano continua cativo do que leu, da frase que nortearia toda a sua vida, de um desígnio do qual não consegue, nem se quer soltar.
Faz 96 anos em Setembro próximo. Mas não há idade ou enfermidade que esvaeça o orgulho que recheia cada letra, cada palavra, quando diz: “Sou bombeiro!”.
Ainda não tinha feito um ano desde a inauguração da Corporação dos Bombeiros Voluntários de Águeda (15 -12-1935), quando José Laureano reparou no pedido de alistamento. Com 20 anos, acabado de sair da tropa e impelido pelo fulgor do nascer da idade adulta, estava impaciente por dar um rumo à vida. A recordação ainda acesa de uma tragédia que tinha assolado a então vila de Águeda consolidaria o resto da sua motivação.
Na noite de 2 de Dezembro de 1934 assistira, angustiado, a um enorme incêndio que devastara a casa de um familiar, o garagista Joaquim Canário. “O tio da minha falecida mulher”, recorda. As chamas, com origem no motor de um automóvel, rapidamente se propagaram a todo o edifício, que ardeu totalmente. Independentemente do esforço dos populares, “que acorreram de baldes na mão”, e dos bombeiros de Aveiro (e outras localidades do distrito), que “combateram com valentia durante duas ou três horas”. Apenas se conseguiu impedir o alastrar das chamas aos edifícios contíguos, na antiga Rua de Baixo (actual Rua Vasco da Gama). “Era um fogo infernal, via-se ao longe. As labaredas eram enormes”, relembra Laureano.
Apelidado de “incêndio pavoroso” pelas manchetes do Soberania do Povo (edição 07-12 -1934), a tragédia acabou por ter um efeito consciencializador na população e nas instituições, acentuando a premência de uma corporação de bombeiros aguedenses.
O repto já tinha sido lançado, desde os confins de um longínquo 1904, por Eugénio Ribeiro. A ideia acabaria por marinar somente em intenções – “por motivos de ordem político-partidária”, acusaria Eugénio Ribeiro - até finalmente se materializar em actos, exactamente três décadas depois, com a fundação da Associação de Bombeiros Voluntários de Águeda (04-12-1934). O “Incêndio do Canário”, como os aguedenses o imortalizariam, acabou por ser o elemento catalisador. “E vá, vá, para a frente enquanto estão quentes os escombros da casa incendiada da Rua de Baixo”, aconselhava o semanário. Uma semana depois, era eleito o corpo directivo da associação. Eugénio Ribeiro, o impulsionador da iniciativa, assumia as rédeas da direcção. Marchavam em direcção a Águeda, finalmente, os soldados da paz.
A visão das labaredas - e do seu efeito devastador - mexeu com Laureano. O cartaz despertou-lhe a memória adormecida dos gritos de desespero da população, da solidariedade entre estranhos, da dança das fagulhas no firmamento nocturno, que pareciam desafiar o homem perante o poder daquele que muitos consideram o mais destrutivo e impiedoso elemento natural. E, acima de tudo, do altruísmo daqueles homens de capacete e mangueira que ousavam enfrentar o fogo no seu próprio território.
Ele estava longe de imaginar que tudo isso seria o seu quotidiano. Não fazia ideia que iria viver a história de uma instituição; que, para muitos, o seu nome se tornaria indissociável da instituição; que iria contemplar o olhar gélido da morte várias vezes; que iria salvar uma vida humana; que iria passar mil e uma peripécias num carro que apelidava de irmão; que iria ganhar o respeito e a admiração dos seus pares; que iria enfrentar a ira de um boi no fundo de um poço; que iria fazer amizades para toda a vida; que iria chorar a perda de colegas tombados no cumprimentos do dever; que iria integrar o Quadro de Honra dos Bombeiros; que iria receber um Crachá de Ouro (o único bombeiro aguedense, ainda vivo, a ostentar essa distinção).
Não. Naquele momento, limitou-se a dirigir para o número 53 da Rua Ferraz Macedo. n VM - Ver edição impressa SP


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