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Clube da Venda Nova

por Redacção Soberania em Maio 13,2009

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Com a aproximação das eleições autárquicas organizam-se meetings com a vestimenta das reuniões de amigos e conhecidos, mas que se transformam em reuniões de propaganda e catequese política.
Num jantar organizado por anónimo identificado, para degustação de um arroz de lampreia, sentaram-se à mesa pessoas com alguma preponderância política social e económica.
A certa altura, o conhecido argentário e orador Eleutério Costa Nova, cujas palavras, em muitos encontros, são tanto mais apreciadas quanto mais bem embrulhadas em cheques, levantou-se e disse, com gravidade:
«Eu vou dar vinte e cinco mil euros para a campanha eleitoral do Castro Agridoce!».
Esta afirmação causou pasmo em todos e um misto de alegria na maioria dos presentes, especialmente nos apoiantes da mesma candidatura.
«Muito bem!», gritou o Gil Abredepois, batendo as palmas com tal violência, que uma côdea de broa da Veiga que tinha nas mãos, lhe furou o  dedo mindinho!
Depois levantou-se, atou o dedo com um guardanapo e continuou, mesureiro, arqueando o dorso, numa vénia: «Muito obrigado, nem sabemos como podemos mostrar o reconhecimento por tanta generosidade. Afinal o senhor é um bom homem, colaborante, bons sentimentos e não um ricaço endurecido e egoísta... é um grande homem».
«Espere aí….», interrompeu o Eleutério, estendendo o braço e abrindo a mão em palma. «Eu sei que com este dinheiro vocês podem comprar esferográficas, barretes e aventais que dão para ganhar as eleições. Porque isso é barato e o povo gosta e cada barrete, cada voto. Mas... - e ouviu-se um coro de murmúrios de ansiedade na mesa - mas, exijo condições para dar o dinheiro, condições essas que têm que ficar escritas e ser cumpridas, se não não dou dinheiro nenhum!».
Fez-se silêncio, o orador puxou as calças para cima dando um saltinho e continuou: «Exijo que me deixem colocar um andar em cima da casa do engenheiro, que me alcatroem o kiwizal, mesmo que ninguém saiba quem foi, como na Rua da Leopoldina, que me dêem uma comenda... e ainda...!».
«Não peça assim tanto, se não tem que dobrar a parada!», interrompeu o Zé Carlos Flippers.
«Bem vistas as coisas, nós podemos dar-lhe isso tudo, que o senhor merece», disse, com solenidade, o Gil Abredepois.
«Pois …», continuou o Costa Nova. «Eu mereço isso, mas também exijo, e é o mais importante, que na lista para o Clube encabeçada pelo Agridoce, o número dois seja o Elói Barba Negra. E têm que remediar tudo o que fizeram de mal, para me contrariarem, devolverem-me o dinheiro das multas e das custas dos processos...».
O Gil Abredepois mexeu-se na cadeira, fez uma cara de enfado, descoroçoado, e disse a meia voz: «Assim já não queremos nada, ainda perdíamos dinheiro!».
O Poeta Catula, ao saber deste episódio, escreveu e musicou este poema, que cantou acompanhado à braguesa:
O Eleutério Costa Nova
Fez uma oferta tamanha
De dar dinheiro pr’á campanha
Onde o Agridoce à primeiro.
Mas impôs logo uma regra:
Que no segundo lugar
Esteja o Elói Barba Negra.
E com brilho e esplendor
Se faça uma festa a sério,
Se ponha mais uma andar
na Casa do Engenheiro
E se faça o Eleutério
Comendador!

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